Brasília, 22 (AE) - A Câmara dos Deputados rejeitou hoje pedido de urgência na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de Nicéa Pitta. Uma mobilização dos partidos governistas - PMDB, PFL, PSDB, PTB e PPB - impediu que a oposição conseguisse reunir os 257 votos necessários para acelerar a CPI. "Esse é assunto de interesse da Câmara Municipal de São Paulo, não é competência da Câmara dos Deputados", garantiu o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE).
Com esse resultado, o pedido de abertura de CPI entra na fila de espera de votação dos projetos que tramitam na Câmara. "Vamos divulgar a lista de quem votou contra a CPI em todo o Brasil, para que saibam quem quer e quem não quer que seja investigado o roubo de dinheiro público", disse, após a votação
o líder do PT na Câmara, Aloízio Mercadante (SP), que promete trabalhar pela criação de uma CPI Mista (Câmara e Senado).
Desilusão - Até minutos antes da votação, os partidos de oposição acreditavam na possibilidade da CPI. "Se roubo de dinheiro público não é assunto de interesse, então que os deputados contrários à investigação expliquem isso ao País", afirmou o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ).
A estratégia da oposição pegou os governistas de surpresa. Na terça-feira à noite, eles protocolaram um requerimento com 270 assinaturas - o regimento interno exige 257. Ou seja, 160 parlamentares dos partidos governistas apoiaram a proposta. "A CPI deixou de ser uma idéia dos partidos de oposição e já é apoiada pela maioria absoluta da casa", avaliou Miro. "Reunimos as assinaturas em apenas dois dias, isso mostra que não houve ação concentrada dos governistas para impedir a criação da CPI e não acredito que haverá obstrução explícita na votação", apostava Mercadante, antes da sessão.
"Criação de CPI não é assunto de governo, cada partido fará o seu encaminhamento", disse o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (SP). "Eu sou contra. O trabalho de esvaziamento da CPI coube aos líderes do PMDB, PFL, PSDB e PPB. A decisão de incluir o requerimento como primeiro item de votação da sessão de hoje foi tomada à tarde pelo presidente da Câmara, Michel Temer (SP). Pela manhã, Mercadante e Miro Teixeira tiveram uma audiência com Temer e apelaram para que a preferência de votação de um pedido de urgência, prevista no regimento interno, fosse respeitada.
Temer manteve o acordo firmado desde a semana passada com os partidos de oposição de não criar qualquer tipo de problema para a discussão do assunto em plenário.

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