Embu, 21 (AE) - Mesmo com o plenário lotado, a primeira sessão da Câmara Municipal do Embu depois do afastamento de 18 dos 19 vereadores transcorreu hoje sem grandes tumultos.
O ponto alto da sessão foi a prorrogação por mais 90 dias da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga a administração do prefeito Oscar Yazbek (PSD), acusado de superfaturar obras na cidade.
Na próxima sessão, a ser realizada segunda-feira, devem ser escolhidos os vereadores que participarão da comissão.
Há cerca de dois meses, os vereadores entraram com o pedido de afastamento de Yazbek. O prefeito ficou longe do cargo por dois dias e retomou o mandato. O atual presidente da Câmara, Geraldo Leite da Cruz (PT), único dos vereadores que não foi afastado, afirmou que as irregularidades serão investigadas. "Com a repercussão que o caso teve, o povo quer que tudo se esclareça"
diz.
Apesar disso, havia no plenário vários cartazes contra o afastamento da vereadora Neide Orlandi (PDT). Uma representante do Jardim Nova República, Cristiane Bezerra Amorim, subiu à tribuna para pedir que separassem "o joio do trigo". Depois do discurso, um coro de "não à corrupção" foi ouvido no plenário.
Além de manifestantes e populares, a sessão também foi acompanhada por figuras políticas. O vereador Milton Bueno, de Poá, foi à cidade para acompanhar de perto o processo de investigação. "Embu está servindo como exemplo", afirmou. "Há muito tempo deveríamos fazer a mesma coisa em Poá, mas tudo se esbarra em burocracias." O ex-prefeito Nivaldo Orlandi (PDT), que retomou seus direitos políticos no ano passado, também acompanhou a sessão. Para ele, "colocou-se no mesmo balaio culpados e inocentes".
Por causa do afastamento temporário dos 18 vereadores, os assessores dos suplentes ainda permanecem os mesmos. Ainda há a possibilidade deles voltarem a ocupar seus cargos ainda esta semana.
Para o suplente Antonio de Jesus (PT), mesmo que isso ocorra, o afastamento dos vereadores já representa uma vitória. "Estamos servindo de exemplo em outros municípios", exclamou. "Já tinha entrado com uma denúncia em 93, pelos mesmos motivos e agora conseguimos um resultado efetivo."
Nas ruas, grande parte dos embuenses revelam-se indignados com a situação da Câmara Municipal. O jornaleiro Nestor Peres Filho, de 43 anos, não se conformava com o fato de o vereador Milton Gonçalves Silva (PTB) ter passagens pela polícia e até ter sido preso.

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