Brasília, 24 (AE) - A Mesa da Câmara deve se reunir amanhã (25) para decidir se abre sindicância para apurar declarações polêmicas do deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), veiculadas na madrugada de domingo na TV Bandeirantes. O parlamentar sugere o fechamento do Congresso Nacional e afirma que, no período da ditadura, deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, "a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso".
De acordo com o corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), "dependendo do linguajar do deputado", a secretaria pode entrar com uma representação contra Bolsonaro alegando quebra do decoro parlamentar - o que pode significar a perda do mandato do deputado, após processo. O regimento da Casa prevê, ainda, em casos considerados menos graves de quebra de decoro, que o parlamentar seja suspenso por 30 dias.
Ao saber das declarações de Bolsonaro, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) sugeriu a cassação do deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ). "Se ele (Bolsonaro) prega isso (fechamento do Congresso), deveriam cassar o mandato dele", disse ACM. "Não vi a entrevista e não tenho que tomar conhecimento das loucuras de alguém que evidentemente está perdendo o senso e o juízo", disse o senador.
Cavalcanti afirmou que deve solicitar amanhã (25) uma cópia da fita do programa "Câmara Aberta", programa independente veiculado pela TV Bandeirantes, para que a Mesa possa analisar as declarações de Bolsonaro. O programa foi gravado na sexta-feira e veiculado na madrugada de domingo.
Foram menos de dez minutos no ar, mas a metralhadora girou para todos os lados. "No período da ditadura, deviam ter fuzilado umas 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique, que era das esquerdas, o que seria um grande ganho para a Nação", disse Bolsonaro. Para o deputado, o Congresso trabalha hoje sem independência. "Está de fato fechado, agora só falta de direito", afirmou.
Ao ser questionado sobre a política dos direitos humanos no País, o deputado criticou o secretário-nacional de Direitos Humanos, José Gregori. "É um absurdo o secretário ter ido a São Paulo visitar os sequestradores do Abílio Diniz; com isso, ele demonstra ter mais estrume na cabeça do que o (ex-ministro das Comunicações) Sérgio Motta tinha na barriga", disse.
Bolsonaro criticou ainda o relator da reforma tributária, deputado Mussa Demes (PFL-PI), que estaria defendendo alíquotas de 40% de imposto de renda. "Esse deputado não deve viver de salário para falar um absurdo desse", disse. "Quem prega que se pague tanto de imposto de renda fica mais fácil de sucumbir aos pedidos de Fernando Henrique".
O deputado, ex-capitão de reserva do Exército e conhecido por defender posições radicais como a legalização da pena de morte no País, não negou nenhuma das declarações à televisão. "Até já tentaram me processar em 1992 porque disse que deviam fechar o Congresso", contou.
O deputado carioca disse ter mais medo de ser "castrado" e impedido de falar o que pensa do que ter seu mandato cassado. "Já falei as mesmas coisas na tribuna várias vezes", afirmou. Segundo o deputado, suas declarações estão "protegidas" pela imunidade parlamentar, prevista no artigo 53 da Constituição. "Posso criticar a imprensa, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e por que não posso criticar o Congresso e o Executivo?", questionou Bolsonaro.

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