Brasília, 12 (AE) - A Câmara dos Deputados deverá retomar as votações nesta semana, depois de um mês com a pauta trancada pela falta de confiança do governo em sua base de sustentação política. Os líderes governistas, que vinham obstruindo as sessões com o adiamento de um projeto com prioridade absoluta na pauta de votação, devem destravar a pauta e permitir que o plenário discuta a constitucionalidade da proposta de renegociação das dívidas dos produtores rurais, aprovada na Comissão de Agricultura e rejeitada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
"Não vejo motivo para a pauta continuar obstruída", afirmou hoje o vice-líder do PFL na Câmara, Pauderney Avelino (AM). Na avaliação dele, a "poeira" levantada pelo "caminhonaço" dos produtores rurais já baixou e a base governista deverá reafirmar sua lealdade "apesar dos maus-tratos do governo". O deputado considera que o governo está agindo para resolver tanto o problema dos produtores como as demais queixas dos parlamentares.
Avelino acredita que o discurso de unidade e a demonstração de autoridade do presidente Fernando Henrique Cardoso no episódio da demissão do ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, serão materializados nas próximas votações do Congresso. "Com a retomada do comando do governo pelo presidente, a base passa a ter mais confiança", afirma, observando que o presidente parecia ter desanimado e "largado as rédeas deixando o governo à deriva".
Defensoria - O primeiro projeto a ser votado pelo plenário da Câmara deverá ser o que trata da Defensoria Pública da União. Embora não seja um projeto polêmico, a votação dele vem sendo adiada há quatro semanas para impedir que o plenário aprecie os recursos da oposição contra a decisão da CCJ, que considerou inconstitucional o projeto de renegociação das dívidas rurais.
A unidade da base governista será testada também na reunião do colégio de líderes com o presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para decidir a qual partido caberá a relatoria do Plano Plurianual de Investimentos, que o governo denominou Avança Brasil. PMDB, PFL e PSDB disputam a relatoria valendo-se de imperfeições do regimento da Comissão Mista de Planos e Orçamento.
Outra demonstração de lealdade da base governista poderá acontecer terça-feira no Senado, quando a CPI do Sistema Financeiro deverá decidir se convoca ou não o ministro da Fazenda, Pedro Malan, para depor. O relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), pretende evitar a participação do ministro em uma audiência pública. Ele quer poupar o ministro do constrangimento de explicar a demissão de Francisco Lopes do Banco Central.

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