Brasília, 25 (AE) - O deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ) deve receber da presidência da Câmara uma censura verbal e pública por ter sugerido num programa na TV Bandeirantes, na madrugada de segunda-feira, o fechamento do Congresso Nacional e por ter afirmado que, no período da ditadura, deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, "a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso". Esta é a tendência para a decisão que a Mesa da Câmara deve tomar amanhã (26) sobre as declarações de Bolsonaro, de acordo com o corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE).
Para o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), as declarações de Bolsonaro merecem uma advertência pública. "Considero grave que um parlamentar use de linguagem exarcebada para referir-se ao Congresso e a instituições da República", disse. Outra hipótese é o deputado receber 30 dias de suspensão dos trabalhos parlamentares e do seu salário.
Hoje, Bolsonaro enviou à Câmara uma carta na qual admitiu ter feito as declarações à "Câmara Aberta", programa independente veiculado na TV Bandeirantes, em clima de "radicalização". "Esse clima leva muitas vezes o político a utilizar palavras que não refletem corretamente o pensamento", disse na carta. "Que político já não exagerou no tom de suas palavras?", disse.
Bolsonaro afirmou na carta que considera o Congresso "instituição de maior importância no Estado Democrático e de modo algum defende seu fechamento" e que não tem "qualquer elemento que permita duvidar da honra do presidente".
Além disso, na televisão o deputado criticou o secretário-nacional de Direitos Humanos, José Gregori, e ofendeu o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta.. "É um absurdo o secretário ter ido a São Paulo visitar os sequestradores do Abílio Diniz; com isso, ele demonstra ter mais estrume na cabeça do que o ministro Sérgio Motta", afirmou Bolsonaro. Na carta, o deputado carioca desculpou-se: "Reconheço ter feito um equívoco na menção que fiz ao falecido ministro Sérgio Motta."

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