São Paulo, 17 (AE) - A Câmara Municipal de São Paulo deve adiar a votação sobre o impeachment do prefeito Celso Pitta (sem partido). O presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido), afirmou na semana passada que pretendia pôr o relatório final da Comissão Especial do Impeachment em votação até quarta-feira (19), mas a nova previsão é de que o início do processo seja discutido na quinta-feira.
Oficialmente, Mellão terá de aguardar esse prazo porque o relatório que propõe transformar as denúncias apresentadas pelo PT em acusações ainda não foi publicado no "Diário Oficial" do Município. Nem os vereadores a favor e tampouco os contrários ao início do processo de impeachment têm os 33 votos necessários. Sem esse número mínimo, o processo não será aceito, nem arquivado.
Ficaria pendende de votação e poderia transformar-se num arma para prolongar a crise política imposta ao Executivo. Os veradores que defendem o impeachment admitem não ter o número de votos necessário."Não dá para colocar o relatório em pauta para sofrer uma derrota e correr o risco de ficar isolado nesse processo todo", afirmou um parlamentar, que pediu para não ser identificado.
Confiança - Desde o fim da semana passada Pitta assumiu pessoalmente as negociações com os parlamentares que integram a suposta base governista. A intenção do prefeito é retomar o diálogo com os vereadores e tentar impedir o início do processo que pode terminar com o seu afastamento.
Os articuladores políticos do Palácio das Indústrias admitem estar propondo uma parceria política, mas negam negociar cargos em troca de votos. A base das conversas, que incluíram até o ex-rebelde Paulo Roberto Faria Lima (sem partido), é a divisão dos dividendos polítcos obtidos por meio de novos projetos do governo e um futuro eleitoral menos incerto do que teriam com uma mudança brusca de poder.
"Como as acusações são fracas e não se sustentam, a única vitória política visível com a admissão e a eventual aprovação do impeachment será dos partidos de oposição, o que seria um risco do ponto de vista eleitoral para todos os vereadores mais ao centro", advertiu o vereador Miguel Colasuonno (PPB). O líder da bancada municipal do PPB, vereador Paulo Frange, é o mais confiante de todos os parlamentares paulistanos.
De acordo com Frange, que na última quinta-feira admitiu uma divisão dentro da bancada do PPB, no domingo já dizia ter o compromisso a favor do governo da maioria dos pepebistas. "Dos 15 vereadores, 12 já disseram que votarão contra o impeachment"
afirmou Frange."Prefiro não declinar os nomes, porque forças ocultas estão atuando sobre a Câmara e podem tentar mudar a posição desses companheiros", justificou. Ele disse que a mudança de posição ocorreu devido a uma análise mais criteriosa do processo.
Pitta passou o fim de semana conversando por telefone e reunindo-se com grupos de dois ou três vereadores filiados a partidos tradicionalmente governistas. A direção do PTB já informou que a sua orientação é para que a bancada municipal do partido vote contra o impeachment, mas o vereador Bruno Féder (PTB) tem ido quase todos os dias reunir-se com o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg.
Na Câmara, comenta-se que o PTB estaria tentando participar mais efetivamente do governo. De acordo com os comentários, essa participação seria por meio de uma Secretaria Municipal a ser definida nos próximos meses, mas Féder disse que a informação é improcedente.
O vereador Ivo Morganti (PFL) reuniu-se domingo à noite com mais seis vereadores em sua casa. "A situação está indefinida, mas particularmente acho que as acusações são fracas e a minha tendência é votar contra o início do processo", afirmou Morganti. Ele disse que o vice-prefeito e corregedor do Serviço Público Municipal, Régis de Oliveira, e o ex-ministro e ex-deputado federal Luiz Carlos Santos não participaram da reunião em sua casa.
Os vereadores do PMDB continuam dizendo estar indefinidos. O vereador Milton Leite (PMDB), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, disse que iriam discutir uma diretriz para a bancada.

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