Câmara derruba projeto sobre controle de armas
Washington, 18 (AE-AP) - A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos derrubou nesta sexta-feira (18) um projeto de controle de armas que tornava mais frágeis as atuais restrições enquanto impunha outras. A votação foi por 280 a 147.
A rejeição bipartidária veio no fim de um tumultuado debate de três dias enquanto parlamentares se esforçavam para responder aos tiroteios em escolas do Colorado e da Georgia. Líderes dois partidos republicano e democrata culpavam uns aos outros.
Em votação anterior, a mesma Câmara aprovara por 218 a 211, na madrugada de hoje, o projeto de lei que atenua o controle do comércio de armas em feiras especializadas, contrapondo-se a um rígido conjunto de medidas que havia sido aprovado no Senado em maio.
Expressando seu protesto, numa das mais veementes críticas ao Legislativo desde que chegou ao poder, o presidente Bill Clinton afirmou, na Alemanha, que a Associação Nacional do Rifle (NRA, pela sigla em inglês), o poderoso lobby dos fabricantes de armas
controla o Congresso com seu dinheiro.
Em meio aos compromissos durante a reunião do Grupo dos Oito, em Colônia, Clinton acusou os deputados de promover uma votação "na calada da noite" para que a decisão não fosse noticiada pelos telejornais noturnos e ninguém se desse conta de que "a NRA continua controlando o Congresso segundo sua conveniência e em detrimento do interesse público".
"Essa votação não resistiria à luz do dia, uma vez que praticamente autoriza que os criminosos sigam comprando suas armas", acrescentou Clinton.
A medida reduzia para apenas um dia o prazo para que as autoridades investiguem os antecedentes dos compradores de armas em feiras. Pelo projeto aprovado no Senado, esse prazo era de três dias úteis. Caso não haja restrição nesse período, a venda fica liberada.
"Foi uma grande vitória para a NRA, mas uma grande derrota para a segurança de nossas crianças", prosseguiu Clinton. "Não entendo como as pessoas podem esperar quatro dias pela roupa na lavanderia, mas não pode fazer o mesmo para comprar um revólver", declarou a deputada democrata Louise Slaughter.
O debate sobre o controle de armas de fogo nos Estados Unidos intensificou-se depois de dois adolescentes terem invadido, em abril, uma escola de segundo grau no Colorado, matando a tiros 13 pessoas e suicidando-se em seguida.
Clinton acusa a NRA e os parlamentares que dão apoio a ela - republicanos, na maioria - de dificultar ao máximo o esforço para impedir que as armas cheguem às mãos de menores ou de indivíduos com antecedentes violentos. "O eleitor norte-americano vai enviar-lhes um sinal na hora certa", previu.
"Os cidadãos comuns não têm tantos recursos nem estão tão organizados quanto essa poderosa organização de defesa da livre posse de armas", prosseguiu Clinton. "Tampouco têm a mesma capacidade de ameaçar e pressionar aqueles que ocupam cargos públicos, como faz a NRA."





