Brasília, 21 (AE)- A mesa da Câmara decidiu hoje, por unanimidade, dar, na próxima terça-feira, uma última chance de defesa ao deputado Paulo Marinho (PFL-MA), que teve seus direitos políticos cassados por improbidade administrativa, em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). "Vamos ouvi-lo para que ele possa nos explicar melhor os documentos de defesa enviados", afirmou o corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE).
Marinho já enviou os documentos à Mesa, mas os deputados decidiram ouvi-lo, seguindo o regimento da Casa. O deputado, que para ser empossado conseguiu uma liminar, já esgotou suas possibilidades de recorrer da decisão ao STJ. Marinho foi condenado a ter seus direitos políticos cassados pelos próximos seis anos. O processo contra o deputado está tramitando na Justiça desde 1996, mas só agora, depois de Marinho ter assumido o mandato, é que o p rocesso andou. Por conta da decisão do STJ, a tendência é que os deputados encaminhem o pedido de cassação de seu mandato à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O corregedor-geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), atribui à "lentidão da Justiça" e aos próprios partidos o fato de haver deputados exercendo mandatos com "máculas" em sua vida pública. "Eles acabam assumindo os mandatos, ficando protegidos pela imunidade parlamentar porque a Justiça é lenta, permitindo suas candidaturas, e os partidos não fazem nenhuma triagem na escolha de seus candidatos", considerou o corregedor.
O deputado Paulo Marinho foi prefeito da cidade maranhense de Caxias, de 1993 a 1996. Foi acusado e considerado culpado de irregularidades, durante sua administração, na venda de ações da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), que eram da prefeitura, por R$ 371 mil. A Justiça maranhense de terminou que ele deve devolver o dinheiro desviado, com juros. Outro deputado que está na mira da Justiça é José Aleksandro (PSL-AC). Há contra ele dois pedidos de licença do Supremo Tribunal Federal (STF) para processá-lo. O deputado é acusado de ter forjado documentos na época em que exerceu mandato de deputado estadual no Acre. Os pedidos estão na ordem do dia para ser julgados pela CCJ.

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