Tremenbé, SP, 25 (AE) - A Câmara Municipal de Tremembé, no Vale do Paraíba, investiga denúncias contra o prefeito Mário Carneiro Leão (PV) e já encontrou indícios de irregularidades em viagens e superfaturamento em obra. Segundo levantamento dos vereadores, Leão apresentou notas de despesas, no total de R$ 6.639,00, de três viagens a Brasília, entre o fim de 1998 e o início deste ano. Dezoito delas, emitidas no mesmo dia e estabelecimento, são de gastos com lanche.
Segundo integrantes da Comissão Processante da Câmara, as demais notas seriam de jantares ou estadias de hotel, que, no entanto, não tem o registro de sua permanência. Ele disse que, por ser conhecido, seu nome não consta do livro de hóspedes do Hotel Riviera, em Brasília.
Entre as acusações feitas nos últimos meses contra Leão está a de superfaturamento na construção de um posto de saúde, que custou R$ 32 mil a mais do que o previsto. Segundo o assessor-jurídico da Câmara, Murilo Ortiz, o superfaturamento foi comprovado e o Tribunal de Contas do Estado considerou alto o valor da obra.
Ontem (24), Leão foi chamado pela Comissão Processante da Câmara para esclarecer as notas fiscais e os gastos com o posto de saúde. O prefeito, que nega as irregularidades, não quis responder às perguntas. "Minha defesa já apresentei por escrito; não tenho mais nada a declarar."
Na defesa, de 800 páginas, Leão diz que as notas são verdadeiras e apresenta como prova uma carta do hotel confirmando sua estadia. "Tudo isso não passa de jogo político para desestabilizar a administração", disse hoje Mário Toledo, assessor do prefeito. Procurado pela reportagem, Leão repetiu o que disse na Câmara.
Saúde - Além desses problemas, os servidores públicos da cidade, de 32 mil habitantes, estão com seus salários atrasados há mais de um mês. Hoje, o Pronto-Socorro Municipal permaneceu fechado. A decisão foi tomada pela prefeitura, depois que a Câmara rejeitou, por 7 votos a 6, pela quinta vez, na sessão de terça-feira, projetos de lei de dotação orçamentária enviados por Leão, pedindo liberação de recursos para pagar médicos plantonistas, que não são contratados, e remédios.
Em nota oficial, o prefeito responsabiliza sete vereadores da oposição, que, garante, votaram contra os projetos, negando a liberação de R$ 526 mil, para as áreas de saúde, educação e transportes.
Segundo os vereadores, enquanto o dinheiro é destinado aos plantonistas, médicos contratados e servidores estão com salários atrasados. Sem atendimento de emergência, os moradores têm de recorrer ao Pronto-Socorro de Taubaté, município vizinho.
Como se não bastasse esses problemas, na quarta-feira, cerca de R$ 10 mil desapareceram dos cofres da Tesouraria Municipal. Uma sindicância foi aberta para apurar o fato. Três funcionários da Tesouraria registraram boletim de ocorrência. O cofre não foi arrombado. "Esse é um problema para a polícia resolver", disse Leão.

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