Câmara de São Paulo deixa de votar proposta de orçamento
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 02 (AE) - A proposta de Orçamento para o próximo ano não foi votada hoje pela Câmara Municipal de São Paulo. O presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), convocou reunião extraordinária para análise do projeto, na próxima segunda-feira. Ontem a Comissão de Finanças e Orçamento aprovou alteração do remanejamento de 15% para 1% dos R$ 7,6 bilhões previstos para o próximo ano.
As discussões duraram toda a sessão. O vereador Wadih Mutran (PPB) alegou que precisaria conhecer melhor o substitutivo elaborado pelo vereador Mohamad Mourad (PL), antes que o projeto seja levado para votação. Caso seja votado na segunda-feira, ainda serão necessárias duas sessões para a apresentação de emendas ao projeto, antes da votação definitiva.
Para vereadores da oposição, porém, o adiamento da votação de hoje trata-se de uma estratégia do governo para ganhar tempo e negociar a margem de remanejamento - verbas possíveis de serem transferidas de uma secretaria para outra no decorrer do ano. Caso o valor ultrapasse ao limite permitido por lei, o prefeito tem de pedir autorização para a Câmara. Além disso, segundo um vereador da oposição que não quis se identificar, muitos governistas não foram contemplados em suas regiões eleitorais, o que pode prejudicá-los nas eleições do próximo ano.
O vereador Rubens Calvo (PSB) causou surpresa ao defender um limite maior para o remanejamento do Orçamento. "Temos de dar uma oportunidade ao prefeito Celso Pitta mostrar a que veio, pelo menos no último ano", justificou Calvo. "Isso não quer dizer que tenha de ser 15%", completou. A proposta, porém, também está vinculada às eleições do próximo ano.
"Ao permitirmos um mínimo de governabilidade para o Pitta estaremos dando respaldo para o governo da Erundina", admitiu Calvo, referindo-se à ex-prefeita e possível candidata à Prefeitura Luiza Erundina (PSB).Ele admitiu, no entanto, que há a possibilidade de ser eleito um prefeito alinhado com o atual. "Mas não acredito que isso aconteça", disse Calvo.


