Campinas, SP, 01 (AE) - A Câmara Municipal de Piracicaba realiza quarta-feira audiência pública para discutir o impacto ambiental da usina termelétrica que a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) pretende construir no município vizinho de Americana. A iniciativa do encontro partiu do vereador Egídio Mauro Filho (PPS), que diz estar "preocupado" com as possíveis consequências do projeto. A Unidade captará água do Rio Piracicaba, que abastece vários municípios da região.
Foram convidados para o encontro técnicos, ambientalistas, autoridades municipais e estaduais, além do presidente da CPFL, Ronald Jean Degen. No dia 20 de outubro, a empresa assinou termo de compromisso para construção da unidade. O projeto, que tem a participação da Shell do Brasil e da Intergen, empresa norte-americana especializada na operação de termelétricas, exigirá um investimento de US$ 600 milhões.
A termelétrica começará a ser construída no próximo ano e o início das operações está previsto para 2003. A usina terá capacidade para gerar 945 megawats/hora, suficientes, por exemplo, para abastecer uma cidade de dois milhões de habitantes. A energia será gerada a partir da queima de 3,8 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. Dos US$ 600 milhões que serão investidos, 70% serão financiados.
A unidade será construída num terreno de 300 mil metros quadrados, espaço equivalente a 40 campos de futebol. A termelétrica de Americana será abastecida pelo gasoduto Brasil-Bolívia, que corta a região e passa pelo pólo petroquímico de Paulínia. Segundo o Ministério das Minas e Energia, outros 17 projetos de termelétrica já foram aprovados e deverão ser concluídos nos próximos anos.
A usina de Americana será a segunda unidade do tipo na região de Campinas. Até 2002, deverá entrar em operação, em Paulínia, a Companhia Termelétrica do Planalto Paulista. O empreendimento é do consórcio formado pela Odebrecht, Grupo Ultra, Cesp, Petrobras, e a norte-americana Florida Energy Power
considerada uma dos maiores fornecedoras de energia elétrica para os Estados Unidos.
As obras de construção da unidade de Paulínia deverão ser iniciadas em março do ano que vem. O projeto já conta com Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima). Em recente audiência pública, porém, os empreendedores admitiram rever dois pontos: a emissão de óxidos de nitrogênio e o alto consumo de água do rio Jaguari.

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