Câmara de Ourinhos usa manobra para impedir votação de CPI
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quinta-feira, 09 de setembro de 1999
Por Aurélio Alonso (especial para a AE) 
Ourinhos, SP, 10 (AE) - A Câmara de Ourinhos (a 375 quilômetros de São Paulo) usou de "manobra" regimental para impedir, ontem (09) à noite, a leitura e votação do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o envolvimento de assessores do alto escalão da prefeitura com a Engesp Engenharia, empresa que prestou serviço ao município.
O presidente do Legislativo ourinhense, Osvaldo Barbosa (sem partido), suspendeu a leitura do relatório por volta das 22 horas, quando faltavam 21 folhas para completar o texto que sugere abertura de comissão processante (CP) contra o prefeito Toshio Misato (PMDB). Barbosa alegou que o tempo do primeiro expediente havia se esgotado. Não permitiu a prorrogação, o que é possível, de acordo com Regimento Interno.
A suspensão da leitura do relatório ocorreu depois de novas evidências de omissão do prefeito chegarem à Câmara por intermédio da Promotoria de Justiça.Trata-se de depoimento da ex-secretária do gabinete Teresinha Soares Borek, que incrimina o prefeito, a primeira-dama Yoko Misato e assessores do primeiro escalão. Ela contou ao promotor que recebeu pressões do chefe de gabinete Flávio Affonseca Moraes para omitir a verdade. O prefeito e Yoko souberam de tudo antes de a CPI chegar à conclusão, mas tentaram acobertar o caso.
Teresinha emprestou a conta bancária para o ex-chefe de gabinete movimentar e depositar cheque da prefeitura de R$ 14,7 mil pago à Engesp. A empresa controlada pelos irmãos Hélio e Murilo Moraes - os dois servidores municipais - tinha ligações com o chefe de gabinete. Os três negaram à CPI qualquer envolvimento.
Teresinha entregou os extratos para o Ministério Público (MP), que vai rastrear cheques depositados em outras contas bancárias. Ela disse que teme pela própria vida e a dos familiares, por entregar documentos comprometedores.
Misato brecou a leitura do relatório da CPI na Justiça por dois meses, ao alegar irregularidades na elaboração da portaria que instituiu a comissão. Há poucos dias, foi julgado improcedente o mandado de segurança interposto pelo prefeito.
Só assim foi possível à Câmara retomar a leitura do relatório. A Promotoria de Justiça de Ourinhos ajuizou ação contra os dois engenheiros acusados de controlar a empresa. Também pediu bloqueio dos bens dos dois, demitidos no fim de julho, quando o relatório final da CPI foi protocolado na Câmara.


