Câmara de Itapeva instala CEI para apurar denúncia de fraude
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domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por José Maria Tomazela 
Itapeva, SP, 21 (AE) - A Câmara de Itapeva, a 280 quilômetros de São Paulo, instala amanhã (22) Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar denúncia de adulteração de notas fiscais na prefeitura. Segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), despesas com refeições, táxi, diárias de hotéis e pequenas compras estavam sendo adulteradas e superfaturadas em até 87 vezes.
A fraude foi descoberta durante análise dos balanços da prefeitura referentes ao exercício de 1998. As notas com o valor alterado tinham sido juntadas em prestações de contas de adiantamentos para despesas tomados pelo prefeito Wilmar Hailton de Mattos (PTB) e pelos secretários de Esportes, Carlos Alberto Saponga de Oliveira, e da Administração, Milton de Moura Muzel.
A instalação da CEI foi aprovada na sexta-feira por 18 votos a 1 e a comissão tem 40 dias para concluir os trabalhos. Além da análise dos documentos obtidos pelo TCE, a comissão - integrada pelos vereadores Wilson Roberto Margarido (PMDB), áurea Aparecida Rosa (PTB), Sueli Oliveira (PPB), Antônio Marmo Fogaça (PSDB) e Setembrina Lourenço Oliveira (PT) - vai ouvir os acusados e servidores municipais.
O vereador Paulo de La Rua Tarancon (PSDB), que apresentou na Câmara a denúncia do TCE, lamentou que a comissão tenha sido formada só de vereadores ligados ao prefeito. "Vai acabar tudo numa grande pizza com marmelada", disse. Ele entregou o relatório ao promotor de Justiça Ramon Lopes Neto, no Fórum local, pedindo a apuração de eventuais crimes.
áurea, relatora da comissão, contestou o vereador, dizendo que a apuração será feita com isenção. Segundo ela, a Câmara já recebeu denúncias de adulteração de notas envolvendo também ex-secretários municipais.
O prefeito afirmou que está à disposição da Câmara. Ele negou participação no caso e afirmou que a maior parte das despesas foi feita pelo motorista que o acompanhava nas viagens. O motorista morreu em 1999. Mattos mandou abrir sindicância para apurar a possível participação de funcionários na fraude. Os secretários também negam a acusação.


