Câmara de Embu cassa mandato de prefeito
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Jobson Lemos 
São Paulo, 16 (AE) - O prefeito de Embu (SP), Oscar Yazbek (PSB), foi cassado hoje pela Câmara da cidade. Dos 19 vereadores
15 votaram pela abreviação de seu mandato com base em cinco denúncias contra ele. A sessão extraordinária convocada para votar o impeachment foi realizada sem a presença de Yazbek e de seu advogado. Hoje mesmo, em ato simbólico na Casa, foi empossado o vice-prefeito Josmar Begalli (PL), que assume a prefeitura amanhã (17).
A estratégia do prefeito cassado era tentar atrasar ao máximo a votação para que expirasse o prazo que os parlamentares tinham para votar seu destino político. O prazo máximo seria até domingo e só poderia haver nova sessão amanhã (17).
Yazbek foi condenado pelos parlamentares por contratar uma empresa sem concorrência, pela contratação irregular de uma empresa de vigilância, pelo superfaturamento na construção de uma escadaria, por não ser respeitado a ordem cronológica no pagamento de precatórios e pela emissão de certidão negativa a uma empresa que teria débitos com a administração. O advogado indicado pela OAB para acompanhar a sessão, Francisco Roberto de Souza, ainda tentou adiar o julgamento político, solicitando o prazo de cinco dias para que pudesse estudar o caso. O presidente da Câmara, Geraldo Leite da Cruz (PT), negou. Souza concentrou então sua argumentação em convencer os parlamentares de que a defesa de Yazbek estava prejudicada. Nada adiantou.
Yazbek e seu advogado não foram localizados pela reportagem para comentar a decisão.
VICE- Begalli também pode encontrar resistências. Ele foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado a devolver quase R$ 6 mil por gastos excessivos, quando era presidente da Câmara. "Tomamos conhecimento de que ele devolveu o dinheiro, mas vamos estudar o parecer final do tribunal para ver o que vamos fazer"
disse Cruz.
Além disso, o filho de Begalli, César Begalli (PL), é um dos 18 vereadores afastados dos cargos pela Justiça por irregularidades na prestação de contas de viagens pagas pela Câmara para participação em congressos e cursos. Se o vice-prefeito também fosse cassado, assumiria a prefeitura de Embu, o presidente da Câmara. No caso, Cruz.
O prefeito empossado hoje disse não temer essa possibilidade. "Devolvi o dinheiro aos cofres da prefeitura", respondeu. Ele alegou desconhecer o fato de que não poderia usar dinheiro público para pagar almoço a empregados da empresa que fez obras no prédio da Câmara.


