Câmara de campinas vota amanhã projeto que reduz salários e benefícios de servidores
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 05 (AE) - A Câmara Municipal de Campinas, a 90 quilômetros da capital paulista, realiza amanhã (06), em sessão extraordinária marcada para as 08 horas, a votação do projeto do Executivo que propõe corte nos benefícios trabalhistas e redução da jornada de trabalho e nos salários dos servidores. Caso a proposta não seja aprovada, o prefeito Chico Amaral (PPB) ameaça demitir pelo menos três mil dos 15 mil trabalhadores municipais. Em protesto contra a postura da administração municipal, os servidores iniciaram uma greve que entrou hoje no seu segundo dia.
"Vamos realizar uma grande mobilização para acompanhar a votação de perto", disse a diretora do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais, Regina Pereira. Segundo ela, a categoria pretende fazer uma vigília durante a madrugada em frente da Câmara. Hoje, os grevistas realizaram uma passeata pelas ruas do centro da cidade. O sindicato acusa o prefeito de não ouví-lo. "Nossas propostas foram ignoradas pelo prefeito", disse o diretor Fábio Custódio, lembrado a proposta de demissão de pelo menos 150 dos 450 funcionários comissionados e a redução dos contratos de terceirização. O prefeito afirma que os cortes são necessários para reduzir em R$ 9 milhões o déficit mensal de R$ 12 milhões.
A decisão de realizar uma sessão extraordinária para votar o projeto foi anunciada pelo presidente da Câmara, Tadeu Marcos Ferreira (PMDB). De acordo com o parlamentar, ao enviar o projeto para o Legislativo, o prefeito quis transferir para os vereadores o ônus das propostas que contrariam os interesses dos funcionários. A maior parte dos 21 parlamentares já declarou que não aprovará o texto integral do projeto. "Do jeito que está, não passará", afirmou o vice-presidente da Casa, Francisco Sellin (PFL). Segundo ele, um grupo de vereadores deverá apresentar, na sessão de amanhã, várias emendas ao texto original.
Uma elas deve extinguir a proposta de cortes nos benefícios trabalhistas, como adicional por insalubridade e periculosidade. Os vereadores também deverão alterar a proposta que estabelece redução da jornada de trabalho e dos salários em 25%. A emenda da Câmara deverá manter a redução de jornada, mas limitará a redução de salários em 20%. Além disso, os parlamentares também podem ir contra a redução de jornada para médicos plantonistas e professores.
Adesão - A greve iniciada ontem obteve hoje a adesão dos funcionários da rede de ensino. Segundo dados do sindicato da categoria, cerca de 40% dos três mil trabalhadores que atuam nas 119 escolas municipais paralisaram as atividades. Várias creches também não funcionaram, provocando a irritação de pais que não tinham onde deixar os filhos.
A situação mais crítica, porém, ocorre na rede de saúde. Desde quarta-feira, os hospitais municipais Mário Gatti e Ouro Verde estão atendendo apenas os casos de urgência e emergência. Hoje, os médicos começaram a suspender cirurgias eletivas. A paralisação nas duas unidades sobrecarregou o Hospital Celso Pierro, administrado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp), onde o movimento aumentou cerca de 50%.


