Câmara de Campinas vai invetsigar prefeito
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 26 (AE) - A Câmara Municipal de Campinas aprovou em sessão realizada ontem (25) à noite, por 11 votos contra 9, a instalação de uma Comissão Processante para apurar supostas irregularidades cometidas pelo prefeito Francisco Amaral (PPB). Caso as denúncias sejam comprovadas, os vereadores poderão pedir seu impeachment. A comissão terá 120 dias para concluir o trabalho.
O prefeito é acusado de assinar contratos superfaturados de empresas prestadoras de serviços terceirizados para coleta de lixo, segurança e merenda escolar, além de manter um número excessivo de servidores comissionados. As denúncias foram apresentadas pelo Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais
num dossiê de 22 volumes e cerca de 40 mil páginas. A categoria
que reúne 15 mil trabalhadores, está em greve - pela quarta vez este ano - há 27 dias, em protesto contra o parcelamento dos salários de setembro e corte nos benefícios trabalhistas.
"A cidade não merece o que está passando", disse o vereador Carlos Signorelli (PT), um dos principais articuladores do movimento pró-impeachment. Para o líder do governo na Câmara, Roberto Mingone (PPB), porém, dificilmente Amaral será afastado. "Essa comissão vai apenas constatar a transparência do atual governo."
Hoje, o prefeito não havia recebido comunicação oficial da Câmara sobre a decisão. E, segundo sua Assessoria de Imprensa, só depois disso ele comentará a abertura da Comissão Processante
integrada pelos vereadores Signorelli, Sérgio Benassi (PCdoB) e Cid Ferreira (PFL). No fim do processo, caso a Câmara decida pelo impeachment, será expedido um decreto legislativo de cassação de mandato.
O setor mais afetado pela greve dos servidores municipais é o da saúde. Desde o dia 1.º, hospitais municipais e postos de saúde atendem só casos de urgência. As cirurgias eletivas foram suspensas. O prefeito alega falta de recursos, mas ameaça contratar pessoal para substituir os grevistas.


