Câmara de Andradina vai investigar custo de conjunto popular
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sexta-feira, 17 de dezembro de 1999
por Antônio José do Carmo 
Andradina, 17 (AE)- A Câmara Municipal de Andradina constituiu Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar denúncias de superfaturamento no maior conjunto popular da cidade, com 999 casas construídas pela Companhia Regional de Habitação de Interesse Social- CRHIS. O presidente da comissão é o vereador e advogado Jamil Ono (PSDB) que pretende iniciar os depoimentos logo depois do recesso parlamentar.
A grande dúvida segundo Ono é quanto ao preço pago pelo imóvel. Há no cartório de Andradina, transações de compra e venda do terreno onde aparece uma empresa de Araçatuba como intermediária da negociação que elevou os valores. Em algumas semanas a área sofreu uma valorização considerada extraordinária pelos mutuários. Por causa disso, suspeitam dos atuais preços das prestações. A Caixa Econômica Federal que financiou a compra do terreno e todas as obras do conjunto, negou informar detalhes da negociação num requerimento feito pela câmara municipal. "Diante de tantas dúvidas, como representantes do povo, temos que fazer o possível para deixar tudo esclarecido", disse o presidente da casa, Pedro Minari Bentivóglio.
Problemas - Habitado há mais de cinco anos, o conjunto popular "álvaro Gasparelli" enfrentou vários problemas antes de ser liberado ao público. O maior deles foi a falta de saneamento básico. O abastecimento de água e a destinação do esgoto deveriam ser bancados pela prefeitura, mas uma boa parte do serviço acabou sendo financiada pelo próprio mutuário.
O presidente da CRHIS, Antônio Barreto dos Santos como já havia se manifestado em outras ocasiões à Agência Estado, negou que tenha qualquer irregularidade ou superfeturamento na obra. Para Santos a denúncia não passa de "manobra política articulada com objetivos eleitorais". Embora tenha desmentido a existência de prestações acima de R$ 181,00 para casas com três dormitórios, os vereadores já possuem cópias de recibos com valores acima de R$ 300,00. Para Barreto dos Santos, a comissão de inquérito "será a oportunidade de atestarmos a lisura com que tudo foi feito, desmascarando pessoas inescrupulosas que se aproveitam da inexperiência de pessoas simples com propósitos eleitorais".


