Câmara da Construção quer ação do governo contra reajuste abusivo
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 23 (AE) - A Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) vai pedir ao governo que tribute, transitoriamente, as exportações de produtos que estão tendo seus preços elevados, abusivamente, no mercado interno. Segundo o presidente da CBIC, Luís Roberto Ponte, a solicitação formal da entidade será encaminhada ainda esta semana à Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda.
Ponte explicou que a solicitação da CBIC não é pelo retorno do controle de preços. "O governo tem vários instrumentos, inclusive jurídicos, para coibir os abusos dos setores oligopolizados da economia", declarou. De acordo com Ponte a medida é necessária porque vários setores, com poder de controle de preços dos seus produtos no mercado, estão se aproveitando da desvalorização cambial para elevar, aleatoriamente, os preços. Na mira da CBIC estão o aço, o alumínio e o cimento.
Além de onerar a exportação para forçar o produtor a vender o produto no mercado externo, a CBIC também quer que o governo baixe, provisoriamente, as alíquotas das importações dos produtos que sofreram elevação excessiva de preços. Dessa forma, segundo Ponte, os empresários terão a opção de adquirir os produtos no mercado externo, sem onerar o consumidor.
Para o presidente da CBIC o momento que o País atravessa é crítico e todos os setores da economia devem colaborar para evitar o recrudescimento da inflação. De acordo com ele a entidade que preside está fazendo um verdadeiro "esforço de guerra" na tentativa de impedir repasses de preços para o consumidor final. "Recomendamos aos nossos associados a manutenção dos preços dos imóveis", disse Ponte, após a reunião da diretoria com os principais representantes dos sindicatos estaduais.
A parceria da construção civil com os revendedores de material de construção dará, para a entidade, as provas necessárias para dar entrada, na Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça, a uma denúncia formal de abusos nos preços. Segundo o presidente da Comissão de Materiais da CBIC, Sarkis Nabi Curi, os sindicatos encaminharão para a entidade as notas fiscais dos produtos com elevação de preços até o dia 5 de março. Levantamento preliminar da entidade indicou reajuste de 7% no aço, 10% na madeira, 14% nos vidros, 16% nas lâmpadas nacionais, 26% no alumínio, chegando até a 40% na cola branca.


