Câmara criará comissão para investigar deputado do PFL
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 23 (AE) - A Câmara irá criar uma comissão de sindicância para investigar as ações do deputado federal Hildebrando Pascoal (PFL-AC), acusado de ser chefe de um grupo de extermínio no Estado.
Caso haja indícios de que o deputado acreano quebrou o decoro parlamentar, será iniciado um processo de cassação do mandato na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A comissão de sindicância terá 30 dias para comprovar as denúncias recebidas pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Num relatório entregue pelo ministro da Justiça, Renan Calheiros, Pascoal aparece como mandante de vários crimes. O próprio ministro chegou a pedir a cassação do deputado.
A primeira ação da comissão de sindicância será apurar a veracidade de uma conversa telefônica gravada pela Polícia Federal (PF) em que Pascoal confessa a intenção de matar o então presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Acre, desembargador Gersino José da Silva Filho. "Temos de pedir imediatamente a fita matriz para certificar que a voz da pessoa é de Hildebrando", observou o corregedor-geral da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE). "Nunca pensei que, no Brasil, existissem crimes com tamanha atrocidade", comentou Cavalcanti, ao fazer referência aos assassinatos descritos no relatório enviado pelo Ministério da Justiça.
Hoje, Pascoal fez um pronunciamento no plenário da Câmara, defendendo-se das acusações de que seria o chefe de um suposto esquadrão da morte. "A campanha de perseguição movida contra este deputado tem origem nas denúncias que fiz, impetrando uma ação popular contra a fraude grosseira praticada por membros do Tribunal de Justiça do Acre", disse Pascoal. Segundo o deputado, tudo não passa de uma vingança de Silva Filho. Isso porque Pascoal impediu que os desembargadores ganhassem um aumento de 40%, por meio de uma ação popular no Supremo Tribunal Federal (STF).
"Depois disso, a minha vida virou um inferno", afirmou Pascoal. "Eu desconheço essas acusações", completou. Mesmo assim, o deputado acreano não desmentiu a existência de uma conversa telefônica em que ele revela a intenção de matar Silva Filho. "Isso nunca passou pela minha cabeça", disse Pascoal. "Mas eu tenho sofrido tanto e que tem hora que agente acaba falando besteira", admitiu.
"Mesmo assim, não me lembro de ter falado isso e, se falei, foi em momento e raiva", insistiu o deputado. "Eu não sou de ferro." Ele também denunciou que o desembargador ganhou, nos últimos meses, oito vezes mais o valor do salário dele, por meio de férias vencidas desde 1993. Pascoal não acredita que será cassado. "Não existe fundamento legal para eu ser cassado." Ele também acha que a Executiva do PFL não irá o expulsar do partido.
Ele desmentiu qualquer participação na morte dos assassinos do irmão, o então vereador Itamar Pascoal. "Fizemos várias cassadas e ofereci R$ 50 mil como recompensa", reconhece Pascoal. "Mas isso está previsto em lei", ressaltou. "Eu confio na Justiça brasileira e, por isso, jamais faria Justiça com as próprias mãos." O deputado disse desconhecer qualquer envolvimento de policiais nesses crimes. "Até hoje, não provaram nada contra mim."


