Londrina – A Comissão de Seguridade Social da Câmara Municipal aprovou ontem pedido de reconvocação do secretário de Saúde, Francisco Eugênio de Souza, do procurador-geral, Zulmar Fachin, e do corregedor-geral, Alexandre Trannin, para prestar mais esclarecimentos sobre a elaboração e o cancelamento do concurso da Saúde.
Supostas fraudes foram apontadas pela promotoria pública, o que levou ao cancelamento do concurso. A principal delas refere-se ao plágio de questões – pelo menos cinco testes foram copiados. Outras denúncias dizem respeito a suposta venda de gabaritos, aprovação de parentes de examinadores e até inscrição no concurso de uma elaboradora da prova. A Prefeitura de Londrina previa contratar 432 servidores para a área da Saúde.
A Comissão de Seguridade Social quer saber o número exato de examinadores do concurso, especificação dos pagamentos realizados a essas pessoas, além do montante recebido dos 13 mil inscritos no concurso e o que foi feito com esse dinheiro.
"A sociedade tem o direito de saber essas questões, que ainda não foram divulgadas. O montante recebido, por exemplo, será que vai ser reinvestido no próximo concurso ou devolvido aos candidatos? Esse dinheiro será reutilizado no próximo concurso?", questionou a presidente da Comissão, Lenir de Assis (PT).
Outra preocupação é saber quais os encaminhamentos do poder público, já que o teste seletivo vigente vence no dia 31 de outubro e 432 servidores ficariam sem contrato. "A preocupação é saber quais encaminhamentos programados, as providências tomadas, para que o serviço continue sendo prestado com clareza para a população", acrescentou.
Além de Francisco Eugênio, Zulmar Fachin e Alexandre Trannin, a comissão convidou Rodrigo Rosseto Avanso, diretor de Recurso Humanos da Secretaria de Saúde. Os depoimentos estão marcados para a próxima segunda-feira, às 14 horas.
A Prefeitura Municipal de Londrina esclareceu ontem que a servidora que integrava uma comissão do concurso da Saúde realizou a inscrição para o teste seletivo como um "teste" para verificar se o sistema estava funcionando corretamente no recebimento de informações dos candidatos.
Segundo o Núcleo de Comunicação, a servidora teve a sua inscrição confirmada automaticamente sem nenhum custo em virtude da isenção que beneficia funcionários públicos. O município ressaltou, porém, que a funcionária não realizou a prova. O esclarecimento foi encaminhado à Procuradoria-Geral do Município e ao Ministério Público (MP), que investigam o caso.
A Prefeitura informou ainda que não definiu o que será feito após o encerramento dos contratos temporários. "Vamos construir uma fundamentação jurídica segura para que o prefeito possa anunciar a melhor alternativa. Mas a manutenção dos serviços é um ponto pacífico e disso não abrimos mão", garantiu Fachin.

mockup