Câmara Brasileira da Indústria da Construção critica Fazenda
Porto Alegre, 26 (AE) - A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) criticou a decisão do Ministério da Fazenda de retaliar os Estados do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, denunciando-os como possíveis inadimplentes e colocando sob ameaça o recebimento de US$ 1,1 bilhão de organismos financeiros internacionais. A desconformidade com a posição do governo federal foi exposta em carta enviada ao ministro Pedro Malan, da Fazenda. "A atitude do Ministério foi de uma estultice total, sem explicação", definiu hoje o presidente da Câmara, Luiz Roberto Ponte.
O empresário lembrou que, em um momento de crise cambial e de valorização acelerada da moeda estrangeira, o maior interessado em receber empréstimos em dólares, com prazo alongado e juros atraentes, é justamente o Brasil. Além disso, o ingresso destes dólares "muito ajudará a geração não inflacionária de empregos, o que é grandemente desejado neste quadro da vida nacional". Assim, a iniciativa do Ministério torna-se contraproducente mesmo do ponto de vista da União. "Foi um ato de total precipitação", acentuou.
Na sua opinião, houve afoiteza igualmente na hora de tratar a questão de Minas. "O maior culpado de tudo é o governo da União, que não teve habilidade para lidar com o governador Itamar Franco", comentou. "O Itamar pode ter as suas manias, mas é um homem honesto e direito", ponderou. A seu ver, o governador mineiro queria apenas demonstrar aos seus eleitores que estava recebendo um Estado completamente quebrado. "Neste momento, o Planalto respondeu com arrogância e soberba", relembrou. Sustentou que a mídia, favorável ao governo FHC, ajudou a precipitar tudo ao passar a chamar o governador mineiro "de topete, louco e outras coisas, deixando-o embretado".
Na carta, os empresários da construção pedem "que se abra um canal de debate" com os Estados "para encontrar formas de viabilizar o pagamento de suas obrigações". Propõem, também, que seja informado aos órgãos internacionais de financiamento que os Estados que estão discutindo judicialmente algumas cláusulas de seus contratos não estão inadimplentes com a União. Ex-deputado federal do PMDB/RS e ministro do governo José Sarney, Ponte defende o respeito "à lei e aos contratos". Notou que considera favorável a renegociação realizada anteriormente mas que os Estados, até o momento que suas alegações forem julgadas improcedentes, possuem o direito de discutir o que consideram inconstitucional.
Do pacote de financiamentos sob risco, a parte do Rio Grande do Sul atinge US$ 675 milhões. Deste total, US$ 430 milhões ainda aguardam liberação. São recursos para recuperação do meio- ambiente, agricultura familiar, reforma do Estado, corredores de transporte e, principalmente, estradas (US$ 275 milhões).
A CBIC é a quarta entidade empresarial a contestar a nota do Ministério, no que ela se refere ao Rio Grande do Sul. Anteriormente, a Federação das Indústrias/RS (Fiergs), a Federação das Associações Comerciais/RS (Federasul) e a Federação da Agricultura/RS (Farsul) também manifestaram seu desagrado com a postura do governo federal no episódio.





