Câmara Brasil-Alemanha apresenta Expo 2000 de Hannover
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2000
Por Magda David 
São Paulo, 24 (AE) - A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha apresentou hoje, formalmente, o contéudo da Exposição Universal de Hannover (EXPO 2000). O evento, sediado na Alemanha, acontecerá entre 1º de junho e 31 de outubro deste ano, com o tema central "Homem-Natureza-Tecnologia". A idéia do evento é mostrar inovações tecnológicas e como elas podem se harmonizar com a preservação da natureza e as necessidades humanas, mostrando caminhos concretos que a humanidade poderá estar traçando para o próximo século. A expectativa é que o evento receba 45 milhões de visitantes, ou 300 mil pessoas por di, em média.
A Expo 2000 ocupará um terreno de 170 hectares com mais de 190 pavilhões, divididos em quatro grandes espaços: parque temático, projetos de todo o mundo, pavilhões nacionais e cultura e arte. No parque temático haverá 11 exposições, com destaque para os temas homem, meio ambiente, energia, alimentação e saúde, entre outros.
Um dos destaques será a exposição "O Século 21", que vai procurar traçar um rumo para a humanidade no próximo século, incluindo a apresentação de objetos que possivelmente estarão disponíveis e a situação de quatro grandes cidades no mundo no ano 2030, com seus problemas e soluções reais: Aachen (Alemanha)
São Paulo, Xangai (China)e Dacar (Senegal). A cidade de São Paulo estará representando um projeto para sistema de transporte público integrado, melhorando as condições sociais e ecológicas.
Na área de projetos de todo o mundo estarão sendo apresentadas iniciativas de âmbito local que podem servir de modelo para problemas globais. Nos pavilhões nacionais estarão presentes 187 países e 12 organizações internacionais para apresentar sua cultura, com espaço também para mostrar seus produtos. O foco da Expo 2000 não é comercial, mas haverá também oportunidades de negócios, de apresentação de produtos, e de divulgação de turismo.
Mesmo as pequenas empresas também poderão estar presentes através do apoio da Câmara Brasil-Alemanha e de outras entidades brasileiras, como o Sebrae e o Itamaraty. O Brasil leva para a Expo 2000 o tema Desenvolvimento Sustentado e Meio Ambiente, que será apresentado num pavilhão de 2 mil metros quadrados, criado pela produtora teatral Bia Lessa.
Os temas aquecimento global, superpopulação, globalização da economia e diversidade cultural estarão entre os principais debates, num contexto em que a tecnologia aparece como instrumento para melhorar o padrão de vida e permitir uma relação mais harmônica com o meio ambiente. Estarão presentes a Embrapa, mostrando suas plantas e sementes, e os setores de prospecção de petróleo em águas profundas, o programa de álcool combustível e o lançamento de foguetes. Também o setor farmacêutico estará destacando o uso de matérias-primas do país.
Brasil - A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, favoreceu a escolha do tema que o Brasil vai levar à Expo 2000. O país quer mudar sua imagem de ecologicamente incorreto, e "quebrar imagens falsas que circulam no mundo", segundo documento apresentado pelo ministro Cesário Melantonio Neto, chefe de Relações Federativas do Gabinete do Ministro das Relações Exteriores.
O Brasil hoje enfrenta problemas ambientais típicos de grandes áreas urbanizadas, precisando discutir em sua agenda ambiental desenvolvimento e planejamento urbano, saneamento básico, redução de poluição, deposição de resíduos e material tóxico, transporte, melhor aproveitamento energético, uso sustentável de terras agrícolas, desenvolvimento de biodiversidade, melhor uso de recursos hídricos, mudanças climáticas e implementação de lei ambiental em seu território, en tre outros tantos temas relevante, ressalta o documento.
O País quer levar a Hannover esta preocupação mais ampla e diversificada, e não apenas a imagem de um país que precisa conservar suas florestas. O documento lembra ainda que grande parte dos problemas ambientais brasileiros ocorre pela pobreza e pela falta de oportunidades e projetos de desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo que está mergulhado no problema, acredita o ministro Melantonio, o Brasil pode mostrar sua riqueza em biodiversidade, seus avanços em tecnologia, e como o país pode se posicionar com novas soluções.
No pavilhão de projetos internacionais, 25 projetos brasileiros vão participar, sendo que a maioria de organizações não-governamentais, lembra. Além da questão ambiental e comercial, o Brasil também estará com uma grande presença cultural no Expo 2000, inclusive com objetivos de divulgar o turismo no país. Artistas - O Brasil vai levar 191 artistas, que farão 51 apresentações, com destaque para a divulgação do chorinho. Reforçando a questão cultural, a Câmara Brasil-Alemanha estará na Expo 2000 com um estande ao lado do pavilhão brasileiro, representando o Instituto de Fomento Sócio Cultural Brasil-Alemanha. O objeto da Câmara é estabelecer um elo de ligação mais forte com o público alemão para mostrar uma imagem mais verdadeira do Brasil.
Este estande vai mostrar a exposição "Os Alemães no Brasil - 1500 a 2000", abordando os temas da chegada no país, a imigração, a industrialização no início do século e hoje e o meio ambiente. Também haverá uma sala de videoconferência para que entidades científicas e culturais apresentem projetos que envolvam os dois países, com o objetivo de mostrar que o Brasil é um país viável, com grande potencial, explica Thomas Timm, vice-presidente de marketing e vendas da Câmara.
Haverá videoconferências permanentes entre os dois países durante todo o evento. O estante terá ainda um relógio projetado pelo designer Hans Donner, numa torre de 5 metros de altura.
A Câmara Brasil-Alemanha atua há mais de 80 anos e tem hoje cerca de 900 associados, incluindo empresas de capital alemão instaladas no Brasil e empresas dos dois países que se voltam ao comércio exterior. O Brasil é um dos países que mais abriga investimentos alemães. Mais de 1.200 empresas de pequeno a grande porte respondem por investimentos da ordem de US$ 15 bilhões, com faturamento anual da ordem de US$ 33 bilhões (12% do Produto Interno Bruto industrial brasileiro). O comércio exterior entre os dois países movimenta US$ 9 bilhões anualmente.


