Brasília, 16 (AE) - O plenário da Câmara aprovou hoje à noite, por 389 votos a favor e 22 contra, o relaxamento da prisão do deputado Remy Trinta (PL-MA), que estava sob a custódia do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), desde a véspera da posse dos parlamentares, em Brasília.
Trinta é acusado de prática de racismo, crime inafiançável, por supostamente ter ofendido um comissário de bordo num vôo São Luís-Brasília, quando se preparava para tomar posse como deputado.
Trinta passou oito horas numa prisão em Belém, onde o vôo fez uma escala, depois de ser detido por policiais que ouviram testemunhos de que ele chamara o comissário de "negro". O funcionário da empresa de aviação teria antes se recusado a dar uma informação ao deputado, afirmando que não tinha de dar satisfação a ele. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que apresentou o parecer pelo relaxamento da prisão, Trinta disse, em depoimento, que chamou o comissário de "complexado".
"O que vimos é que o flagrante é praticamente nulo porque a pessoa que efetuou a prisão não foi testemunha do fato e se valeu de informações prestadas por terceiros", sustentou o deputado Mussa Demis (PFL-PI), relator do processo na CCJ. A comissão terá agora um prazo de dez sessões da Câmara para decidir se quebra ou não a imunidade de Trinta. Nesse período, os deputados vão investigar se houve mesmo crime de discriminação racial ou injúria. Se a CCJ considerar que o deputado cometeu algum crime e o plenário confirmar a decisão, Trinta poderá então ser processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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