Brasília, 11 (AE) - O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, hoje, projeto de lei que autoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) a realizar cirurgia reparadora de mama em mulheres mutiladas pela retirada de um câncer. Só no ano passado foram registrados mais de 32 mil casos de câncer de mama e 7 mil vítimas fatais da doença no País. Na sessão, marcada por depoimentos emocionados de parlamentares, o governo comprometeu-se também a acelerar a aprovação de outras propostas de alcance social, como ações preventivas contra a doença pelo SUS.
O projeto que prevê a cirurgia de reconstrução mamária no sistema público tem de passar ainda pelo Senado para tornar-se lei. Na Câmara, tramitou durante dois anos, mas a expectativa é de que os senadores apressem a votação da proposta. A autora do projeto, deputada Maria Elvira (PMDB-MG), apresentou as estimativas do Ministério da Saúde (os dados só serão oficiais no final de março), chocando os parlamentares. Números - Segundo ela, o número de mulheres que tiveram diagnóstico de câncer de mama no ano passado ultrapassa 32.695. Até agora, foram levantados 7.165 casos de mortes de mulheres em função da doença. Em 1997, foram 30 mil casos e 7 mil mortes.
Se confirmada pelo Senado e sancionada pelo Presidente da República, a proposta da reconstrução mamária gratuita terá um largo alcance social, avalia o líder do PFL na Câmra, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), que é da área de saúde, porque a maioria das mulheres atingidas pelo câncer de mama não têm acesso à rede privada de saúde. Pela tabela da Associação Médica Brasileira (AMB), usada em convênios, o preço de uma cirurgia reparadora de mama é R$ 1.450,00, isto somente o valor pago ao cirurgião, sem contar seus assistentes e o anestesista. Emoção - A deputada Elvira tentou, sem sucesso, aprovar a proposta pautada na sessão do Dia Internacional da Mulher, ontem, mas só hoje recebeu apoio unânime dos deputados ao seu projeto. O plenário presenciou muita emoção de parlamentares, que foram ao microfone testemunhar suas experiências com o câncer de mama.
Chorando, a autora do projeto revelou que perdeu um irmã de 29 anos por causa desse tipo de câncer. O deputado Aluízio Mercadante (PT-SP) contou na tribuna sua tragédia pessoal. Mercadante perdeu a mulher por causa de um câncer mamário. O líder do PFL, que também é médico, emocionado lembrou que operou a própria mãe para extrair câncer na mama. Para possibilitar a aprovação do projeto ainda hoje, o líder do governo, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), patrocinou um acordo no plenário para a retirada das emendas apresentadas ao projeto, com o compromisso do governo de que essas propostas serão discutidas numa comissão. A idéia é elaborar outros projetos relativos a ações preventivas contra o câncer, como a aquisição pelo SUS de marcadores biológicos para detectar câncer de mama precocemente. "Foi um grande avanço, mas vamos ter que discutir mais futuramente", disse Inocêncio.

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