Brasília, DF- O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 352 votos a 60, o projeto de Lei de Biossegurança. O texto final, no entanto, até as 21h40 ainda dependia da votação de quatro destaques apresentados pelo PT. O primeiro pretende retirar do texto as células-tronco embrionárias para fins de pesquisa. Outro, retira parte do poder deliberativo da CTNBio sobre a questão dos transgênicos. O terceiro também modifica a qualificação do quórum da CTNBio para deliberação sobre transgênicos, e o último também quer retirar o poder final da CTNBio sobre o plantio de transgênicos no país. Os defensores do projeto teriam que reunir 257 votos favoráveis ao texto já aprovado, para que as mudanças não sejam efetivadas.
O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), cumpriu o que prometeu: colocou a matéria em votação, mas preferiu se ausentar do plenário para não votar contra ou a favor. Todos os partidos, à exceção do Prona, encaminharam a votação favorável à matéria. Embora o presidente do Prona, Enéas Carneiro (SP), tenha sido o único a subir na tribuna para anunciar que votaria contra a matéria, outros 59 deputados também se mostraram contra a Lei de Biossegurança.
Antes da votação, os deputados aprovaram a Medida Provisória 226, que cria o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado. A MP estava trancando a pauta de votações de Câmara, e a sua aprovação abriu caminho para a votação da Lei de Biossegurança. A medida provisória segue agora para votação no Senado Federal.
Severino Cavalcanti reuniu-se ontem com os ministros da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, para discutir a votação do projeto de lei. Cavalcanti também recebeu representantes do Movimento em Prol da Vida (Movitae), o médico Drauzio Varella e a cientista Mayana Zatz, todos favoráveis às pesquisas com células-tronco embrionárias.
Ontem, a deputada estadual de Pernambuco Ana Cavalcanti (PP), filha do presidente da Câmara, fez um apelo para que o pai não dificultasse a aprovação das pesquisas. ''Como religiosos que somos, eu disse ao meu pai que era importante aprovar a biossegurança para salvar vidas. Eu disse que só voltaria a Pernambuco depois de ver o projeto aprovado'', afirmou a deputada.
Ana Cavalcanti disse que, depois da votação, vai pedir desculpas ao Vaticano por ter apoiado a utlização de células embrionárias para fins terapêuticos. A Igreja Católica é contrária às pesquisas por considerar que os embriões são vidas que não podem ser descartadas. Ana Cavalcanti afirmou ainda que, por ser terapeuta há mais de 20 anos, tem acompanhado o drama vivido por pais e mães de crianças que sofrem com doenças degenerativas. A deputada não revelou se Severino Cavalcanti votará favoravelmente ao projeto de lei, mas disse que ''ele ficou sensibilizado''.

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