Depois de virar artigo de luxo até mesmo nas barraquinhas de camelô e de ter movimentado boa parte das vendas de janeiro e fevereiro, o kit de primeiros socorros pode acabar desaparecendo, só que desta vez do Novo Código de Trânsito Brasileiro. É que foi aprovado ontem, pela Câmara dos Deputados, o projeto de lei que prevê o fim da obrigatoriedade de os veículos portarem o equipamento de segurança. Ou, ‘‘de insegurança’’, como prefere chamar o autor do projeto, o deputado Padre Roque do PT do Paraná.
O projeto, proposto em janeiro. foi aprovado por unanimidade, mas ainda precisa passar pelo Senado e pela sanção do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A aprovação é certa segundo a assessoria do deputado, uma vez que o projeto foi acolhido em apenas dois meses.
A idéia é aprovar a lei até o final do semestre. A iniciativa encontra apoio nas explicações dos próprios profissionais da área da sáude. De acordo com o chefe do pronto socorro do Hospital Cajuru, o kit tem coisas desnecessárias que esbarram não só no quesito qualidade, quanto no de complexidade. ‘‘As pessoas não têm a menor idéia de como usá-lo’’, explica Luiz Carlos Von Bahten. ‘‘Um problema que piora quando se tem em mente a tendência de auto-medicação do brasileiro. Com o kit com a cruz vermelha na frente na mão ele se sente como um médico ou um enfermeiro e, na tentativa de ajudar, pode acabar piorando a situação’’.
A multa para quem transitava pelas estradas sem o kit era de 120 Ufirs além de cinco pontos perdidos na carteira. No Paraná, as autoridades de trânsito ainda não estavam cobrando o uso do equipamento, seguindo uma decisão do Detran.

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