Tapiraí, SP, 06 (AE) - A Câmara de Tapiraí, a 135 quilômetros de São Paulo, acatou denúncias de irregularidades administrativas apresentadas pelo munícipe Franz Matijewitsch e afastou, pelo prazo de 90 dias, o prefeito Carlos Colombo (PTB). A votação, que teve seis votos favoráveis ao afastamento e três contrários, ocorreu na noite de sexta-feira. A Câmara formou também, por sorteio, uma Comissão de Investigação e Processante (CIP) para analisar as denúncias e a defesa do prefeito.
No fim dos trabalhos, que devem durar no máximo três meses, será colocado em votação o pedido de cassação definitiva do mandato. Até a tarde de hoje, Colombo não tinha sido notificado para deixar o cargo. Ele estava fora da cidade. Caso não seja encontrado até sexta-feira, será notificado por edital e o vice-prefeito Kazuo Tiba (PTB) assumirá a prefeitura.
A maioria das denúncias apresentadas contra o prefeito já foi investigada pela Câmara, através de comissões especiais. Os relatórios foram enviados ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público.
Colombo é acusado de ter cometido irregularidades na gestão da Santa Casa, quando o hospital esteve sob a administração da prefeitura. Entre elas, estaria a compra de medicamentos sem licitação e com preços acima do valor de mercado. O prefeito foi denunciado também por ter usado verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) para pagar servidores não vinculados à educação. A falta de informações à Câmara, o não recolhimento de impostos aos cofres públicos, irregularidades no pagamento do transporte escolar e uso da máquina para promoção pessoal são outras denúncias acatadas pelos vereadores.
A família do prefeito informou hoje que ele viajara a São Paulo para visitar a mãe, internada em um hospital. Segundo sua assessoria, advogados de Colombo entrarão na Justiça ainda esta semana com pedido de liminar para suspender o afastamento decretado pela Câmara. O processo que culminou com o afastamento conteria irregularidades. O secretário municipal da Administração, Antônio Carlos de Campos, disse que, apesar da ausência do prefeito, os serviços municipais estavam se desenvolvendo normalmente. Segundo ele, a Lei Orgânica do Município (LOM) permite que o prefeito se ausente da prefeitura por um período máximo de 14 dias. Segundo ele, as denúncias apresentadas contra o prefeito já são objeto de averiguação pelo Ministério Público que, no entanto, não o afastou do cargo.

mockup