Sid Sauer
De Campo Mourão
Parte dos vereadores de Campo Mourão está admitindo que votou favorável ao projeto que proíbe o corte do fornecimento de água na cidade em represália aos 80% sobre o consumo de água que a Sanepar vem cobrando pela implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto. ‘‘Se a Sanepar tivesse ao menos nos recebido em Curitiba, esse projeto poderia nem existir’’, admite o vereador Edevaldo Louzano (PTB), um dos autores da proposta.
A ‘‘briga’’ de um grupo de vereadores de Campo Mourão com a Sanepar já foi parar até no Ministério Público, que recebeu denúncia da cobrança abusiva pela coleta de esgoto. ‘‘Queríamos que a Sanepar diminuísse o valor da taxa de esgoto ou fizesse a cobrança por um período determinado’’, ressalta Louzano. Como nada disso foi conseguido, o grupo apresentou o projeto que também acaba com os incentivos fiscais que a empresa recebe da prefeitura.
‘‘Nosso objetivo já foi alcançado, uma vez que o projeto apresentado em Campo Mourão está sendo discutido em todo o Estado’’, conta Louzano. O presidente da Câmara, José Eugênio Maciel (PPS), confirma que mais de 30 câmaras de vereadores e prefeituras do Paraná já pediram cópias da proposta aprovada em Campo Mourão. ‘‘Tudo começou com a reclamação da população contra os 80% da taxa de esgoto’’, lembra o presidente.
Maciel nega que o projeto aprovado possa incentivar o calote. ‘‘Está previsto que os devedores serão acionados na Justiça e todos sabem que as custas judiciais são caras, independentemente da ação’’, frisa. O vereador Edson Battilani (PPS) afirma que a Sanepar pode até conseguir derrubar na Justiça a proibição do corte do fornecimento de água, mas dificilmente obterá sucesso contra o fim das isenções de impostos municipais.
‘‘A Sanepar é uma concessionária dos municípios e não pode ir fazendo tudo do jeito que quer’’, ressalta Battilani. Júlio Vieira dos Santos (PDT), outro autor da proposta, também admite ‘‘guerra’’ contra a Sanepar. ‘‘Vem mais coisa por a풒, avisa, sem entrar em detalhes. Louzano, por sua vez, adianta que está preparando um abaixo-assinado contra a companhia e anuncia até a realização de um ato público no centro da cidade.
Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa ser sancionado pelo prefeito Tauillo Tezelli (PPS). Depois de admitir que era contra a proposta, Tezelli encaminhou o projeto para análise da Procuradoria-Geral e admite sancioná-lo se ele tiver embasamento legal. A Sanepar de Campo Mourão, no entanto, reclama que não foi chamada para discutir o projeto e diz temer um aumento da inadimplência – hoje de 1,27% – e um consequente comprometimento da qualidade do serviço.

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