Uma caloura da Faculdade de Medicina da USP disse ontem em depoimento ao delegado Marcelo Damas que foi jogada por veteranos duas vezes na piscina da Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz no primeiro dia de aula, 22 de fevereiro. No dia seguinte, o estudante Edison Tsung-Chi Hsueh foi encontrado morto na mesma piscina, por afogamento. A polícia investiga a hipótese de Edison ter sido vítima de um homicídio. Ele não sabia nadar e seus óculos foram encontrados no fundo da piscina.
A caloura disse que não sabia nadar e bebeu bastante água ao ser jogada na piscina, mas nas duas vezes foi retirada por veteranos. O delegado ouviu ontem três depoimentos. Outro calouro, que havia escrito em uma carta anônima que foi obrigado a beber 80 ml de pinga, reconheceu ontem a carta como sendo sua, mas desmentiu a informação. ‘‘Ele disse que exagerou na carta, mas não conseguiu se explicar, apenas deu informações sem nexo’’, disse Damas.
Um dos calouros ouvidos ontem também afirmou que viu veteranos cheirando uma camiseta que poderia conter lança-perfumes, mas também não consegue reconhecer esses estudantes. O delegado deveria ouvir ontem mais seis depoimentos. Ele ainda não conseguiu encontrar o calouro que escreveu uma carta anônima afirmando que veteranos identificados como ‘‘Cearᒒ, ‘‘um alemão alto’’ e ‘‘um japonês baixinho’’ participaram de trotes violentos.
Damas já ouviu 130 das cerca de 300 pessoas que participaram da festa, e as investigações dependem desses depoimentos. As fitas de vídeo gravadas durante a festa e os registros telefônicos de alguns veteranos pedidos pela promotoria continuam em análise no Instituto de Criminalística. A Comissão de Sindicância criada pela USP também não entregou ainda o relatório final sobre suas investigações.
No dia 27 de abril, o diretor da Faculdade de Medicina, Irineu Tadeu Velasco, levou ao conselho da USP as primeiras conclusões da comissão, segundo as quais estava ‘‘praticamente descartada’’ a hipótese de que a morte de Edison tenha sido acidental.

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