São Paulo, 23 (AE) - O calouro de medicina da Universidade de São Paulo (USP) Edison Tsung-Chi Hsueh, de 22 anos, foi encontrado morto, na manhã de hoje, no fundo da piscina do clube dos alunos da faculdade, em Pinheiros, na zona oeste da capital. Na tarde de ontem (22) foi realizado no local um churrasco para comemorar o primeiro dia de aula. A polícia ainda não sabe qual foi a causa da morte do estudante.
Segundo os alunos, a festa de confraternização entre veteranos e calouros, que há pelo menos dez anos é organizada na Associação Atlética Acadêmica Osvaldo Cruz, começou por volta do meio-dia. Os estudantes do primeiro ano assistiram a uma aula de introdução do curso e depois passaram por trotes com corte de cabelo, pintura no rosto e ovadas. Em seguida, desceram para o clube administrado pelos estudantes, localizado em um terreno atrás da faculdade, para participar do churrasco. Festa - Lá, cerca de 200 pessoas começaram a comer e tomar cerveja à beira da piscina. Muitas pessoas nadaram. Segundo a direção da faculdade, a festa teria acabado no fim da tarde de ontem e não teve a participação de professores. A forte chuva que atingiu a cidade por volta das 16 horas teria acabado com o churrasco. Mas alguns estudantes abrigaram-se no ginásio e continuaram no local, que tem os portões fechados às 20 horas.
"Tivemos a informação do centro acadêmico que duas pessoas que treinam no local e nadaram na piscina, por volta das 18 horas de segunda-feira, não encontraram nenhum corpo", disse o diretor da faculdade, Irineu Tadeu Velasco. "Nessa hora, o churrasco já teria terminado e isso nos leva a calcular que o estudante deva ter caído depois desse horário". O clube teve os portões fechados no horário normal e, aparentemente totalmente vazio.
Hoje, por volta das 7h30, o funcionário Luiz Carlos dos Santos encontrou o corpo na hora que foi limpar a piscina. Trinta minutos antes, a mãe do rapaz foi até a faculdade para ter notícias do filho. Ela estava preocupada porque ele não tinha voltado para casa à noite.
"O corpo estava no fundo da piscina, apenas com uma bermuda com marcas de tintas", disse o delegado do 14.º Distrito Policial, em Pinheiros, Paulo Roberto de Oliveira. "Aparentemente não havia nenhum sinal de violência". Hipóteses - Segundo ele, a morte do estudante pode ter sido causada por vários motivos: bebida, comida ou drogas em excesso, a queda de um trampolim que existe no local ou até mesmo um homicídio. Todas as hipóteses precisam ser investigadas, por isso, foi solicitada uma série de exames, entre eles de dosagem alcoólica.
Apesar de não ter sido caracterizado homicídio até agora, uma equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que realizou uma perícia no local, está investigando o caso. Amanhã (24) devem ser ouvidos os diretores do centro acadêmico para que seja apurado exatamente quantas pessoas participaram do evento, o que foi consumido, nomes dos participantes, entre outros detalhes. De acordo com os peritos, o estudante deveria estar na piscina num período menor que 12 horas, pois depois disso o corpo boiaria. O carro do Instituto Médico-Legal saiu do clube carregando o corpo do estudante às 12h10.
A faculdade vai pagar todas as despesas do enterro e determinou que um professor especializado em patologia acompanhe a perícia. "Em toda a história da faculdade nunca ocorreu um caso desses, estamos chocados", disse o diretor Velasco. Foi aberta um sindicância na faculdade para apurar a ocorrência.

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