Calouro da USP foi assassinado em trote, afirma promotora
São Paulo, 12 (AE) - O calouro de medicina da Universidade de São Paulo (USP), Edison Tsung-Chi Hsueh, de 22 anos, foi assassinado durante o trote num churrasco, no dia 22 de fevereiro, no primeiro dia de aula na piscina do clube dos alunos da faculdade. A afirmação é da promotora Eliana Passarelli, do Tribunal do Júri, de Vila Mariana, com base no laudo necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML) recebido nesta segunda-feira (12).
Segundo Eliana, os legistas constataram que Hsueh morreu entre 12h e 16h, "exatamente no auge da festa", e o corpo apresentava muitos ferimentos. "Estávamos ouvindo os alunos que participaram da festa como testemunhas e agora vamos passar a ouvi-los como suspeitos de um assassinato", afirmou.
O laudo de sete laudas preparado por uma equipe é assinado pelo legista Carlos Delmonte. A causa da morte: afogamento. "O laudo detalha que o calouro tinha ferimentos na região mamária direita, mão direita, coxa esquerda, perna esquerda, equimoses na coxa esquerda além de vestígios de tinta de diversas cores", adiantou a promotora.
Ela suspeita que durante o trote o rapaz foi espancado e jogado na piscina. "Ouvimos dezenas de participantes, todos negaram e me fazem acreditar ainda mais, agora com o laudo, que decidiram acobertar os assassinos num pacto." Hsueh, segundo sua família, não bebia, não fumava e não usava drogas. Estava feliz por ter entrado na medicina da USP pois assim não pagaria a universidade.
Em 1997 entrou na Faculdade de Medicina da Santa Casa, mas, sem condições de pagar os estudos só cursou um ano. Voltou no ano seguinte para o cursinho e foi aprovado na USP. Aluno exemplar, filho de imigrantes japoneses - o pai engenheiro e a mãe, dona de casa - durante o colegial jamais teve nota menor que 8,2.
Silêncio - Os 60 alunos - homens e mulheres - ouvidos até agora no inquérito do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pelo delegado Marcelo Damas e pela promotora, negaram saber qualquer fato envolvendo a morte do calouro.
Disseram que a festa de confraternização entre veteranos e calouros na Associação Acadêmica Osvaldo Cruz teria terminado às 16 horas e não houve nenhum fato diferente.
Churrasco - No dia 22, os estudantes do primeiro ano assistiram a uma aula de introdução do curso e depois passaram por trotes como corte de cabelo e pintura no rosto e corpo. Em seguida desceram para o clube administrado pelos estudantes, localizado em um terreno atrás da faculdade, para participar do churrasco.
Estavam na festa mais de 200 estudantes. O corpo foi encontrado no dia seguinte às 7h30, na piscina, pelo funcionário Luiz Carlos dos Santos. O corpo estava no fundo. Hsueh vestia apenas uma bermuda. "O laudo revela ainda a agonia de minutos do calouro e a luta prolongada na piscina", salientou a promotora.
A polícia recebeu informações de que o corpo do calouro teria sido retirado da piscina e depois voltou para a água. Eliana não quis falar sobre esta denúncia que está sendo apurada. Os 60 estudantes que prestaram declarações voltarão a ser chamados.
"Agora trata-se de homicídio e queremos saber porque mentiram." Eliana contou que nos depoimentos alegaram ter participado do churrasco, do trote, e foram embora. Nada viram. Os que estavam na festa - cerca de 200 estudantes - serão ouvidos.
Os vigilantes também voltarão a prestar declarações. Eliana contou que um dos vigilantes em seu depoimento informou ter recebido na faculdade, durante a madrugada, o telefonema de um estudante. Ele perguntou se tudo estava bem na associação. "O que ele queria saber?", pergunta a promotora. É o que ela pretende saber no decorrer das apurações.





