Calor e entulho aumentam risco de ataque de escorpiões
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terça-feira, 29 de agosto de 2017
Viviani Costa<br>Reportagem Local 

Calor, umidade, excesso de entulhos e lixo acumulado em quintais e terrenos baldios. Essa é a combinação perfeita para a proliferação de escorpiões. No CIT (Centro de Informações Toxicológicas) do Hospital Universitário de Londrina, uma ocorrência do tipo é atendida por dia no verão. Com as altas temperaturas "fora de época", os ataques também têm sido registrados no Estado.
Nesta terça-feira (29), uma mulher de 34 anos, moradora de Sabáudia, e uma adolescente de 13 anos, que vive em Arapongas, ambos os municípios na Região Metropolitana de Londrina, foram picadas por escorpiões. Os dois casos foram classificados como leves (sem gravidade) e são monitorados com o apoio dos profissionais do CIT de Londrina.
Desde janeiro até esta terça-feira (29), a 17ª Regional de Saúde de Londrina registrou 105 casos de picadas por escorpião. Sertanópolis lidera o número de notificações com 26 ocorrências, seguido por Londrina, com 18 registros, e Florestópolis, com 13. Durante o ano passado, a Regional contabilizou 228 casos no total.
Balanço divulgado pela Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) aponta que 771 acidentes por escorpião foram registrados no Paraná até o dia 4 de agosto. As Regionais de Saúde de Maringá (163), Londrina (101) e Paranavaí (99) foram as que mais registraram casos. A morte do menino Lucas Diego Alves, 4, morador de Jussara (Noroeste), ainda não foi contabilizada. Ele foi picado na última sexta-feira (25) e morreu no dia seguinte, depois de ser transferido para o Hospital Universitário de Maringá. A Sesa aguarda o resultado de exames. No ano passado, o Paraná registrou 1.740 acidentes por escorpião. Um caso em Cianorte e outro em Paranavaí resultaram na morte das vítimas.
Segundo a chefe da Divisão de Vigilância em Zoonoses e Intoxicação da Sesa, Tânia Portela Costa, a quantidade de casos registrados neste ano está dentro do número esperado pela equipe. "Para se ter uma noção, temos mais de 14 mil casos por ano de acidentes com animais peçonhentos. Entre o início de novembro e o final de março, há uma tendência de aumento no número de casos. No período mais frio a incidência diminui um pouco", alerta.
Os escorpiões têm hábitos noturnos. Além de evitar o acúmulo de entulhos e resíduos nos quintais, Costa reforça orientações gerais para que a população se mantenha em alerta. Entre as recomendações estão o uso de equipamentos de proteção individual como luvas e botas para manusear os entulhos, observar roupas e sapatos antes de utilizar, afastar as camas das paredes e evitar que lençóis e cobertores encostem no chão.
Quando a picada ocorre em crianças menores de 7 anos e em idosos com mais de 60 anos, é preciso atenção redobrada. As duas faixas etárias fazem parte do grupo de risco com maior incidência de mortes. O coordenador do CIT e professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Camilo Molino Guidoni, destaca que, logo após a picada, é necessário limpar o local contaminado com água e sabão. "Capturar o animal ou tirar uma foto também ajuda os profissionais da saúde a identificar a espécie do escorpião e a possível gravidade do caso. O importante é que as pessoas procurem a unidade de saúde mais próxima o mais rápido possível", alerta.
A picada pode causar apenas dor no local ou sonolência, vômito e sudorese nos casos mais graves, quando é necessário aplicar ampolas do soro antiescorpiônico. Em caso de dúvidas, o Centro de Controle de Envenenamento do Paraná disponibiliza o telefone 0800-410148 para profissionais da saúde e a população em geral.


