Brasília, 19 (AE) - O ex-ministro e ex-presidente do Banco Econômico ¶ngelo Calmon de Sá isentou hoje na CPI do sistema financeiro o presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) de qualquer participação no processo que levou à quebra do banco que dirigia. Segundo Calmon, os atritos que ACM teve com a equipe econômica e com o presidente Fernando Henrique Cardoso no momento da intervenção no Econômico, em 11 de agosto de 1995, se deveram exclusivamente às preocupações do senador com o impacto que a intervenção teria na economia baiana.
"ACM fez a sua obrigação, da mesma maneira que o senador Pedro Simon (PMDB-RS), em 1985, negociou a transformação do Sulbrasileiro em Meridional. Em São Paulo, o desaparecimento de um banco pode não fazer diferença, mas na Bahia faz", afirmou. Calmon de Sá também negou que tenha dados contribuições eleitorais ilegais para ACM quando este se elegeu governador da Bahia, em 1990, como foi divulgado no episódio conhecido como "escândalo da pasta rosa". "As contribuições diretas em 1990 não passaram de US$15 mil e se destinaram apenas a quatro pessoas que eram ex-funcionários do banco", afirmou o ex-ministro.
O Banco Econômico, que chegou a ser a sexta maior instituição financeira do País, foi o primeiro a desaparecer depois da instabilidade bancária provocada pela crise do México. A intervenção decretada pelo então presidente do BC Gustavo Loyola fechou as portas da instituição por nove meses, provocou uma crise política entre ACM e Fernando Henrique e levou o governo a instituir, no início de novembro, o Proer. Dentro deste programa
em 1996, o Econômico acabaria absorvido pelo banco Excel, mais tarde absorvido pelo banco Bilbao Vizcaya.
Em seu depoimento, Calmon defendeu o Proer e disse que o banqueiro é uma figura injustiçada no País. "O banqueiro é desprezado dentro da nossa sociedade, porque chega a negar empréstimo para que o cliente enterre a própria mãe", disse, acrescentando que "nenhum outro empresário corre o risco que um banqueiro corre. Não há negócio que tenha maior risco".
De acordo com o ex-ministro, o Econômico quebrou em função de um quadro de crise global do sistema financeiro provocada pela desestabilização do México. "Dos 15 maiores bancos nacionais que existiam na época, apenas seis não foram extintos ou adquiridos por instituições financeiras", relatou. Calmon de Sá também usou a crise do México para explicar as operações de remessa maciça de recursos para o exterior feitas pelo Econômico no primeiro semestre de 1995. De acordo com o ex-ministro, foram de cerca de US$ 500 milhões. Segundo relatório do Banco Central apresentado pelo senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), o valor foi de US$ 2,2 bilhões. "Investidores da nossa subsidiária nas ilhas Cayman resolveram sacar o valor das aplicações", disse Calmon.
O ex-presidente do Econômico procurou contestar que a existência do Transworld Bank, nas Ilhas Cayman, do qual ele era sócio majoritário, servia para evasão de divisas. "O banco nas Ilhas Cayman foi criado em 1995, e, no cômputo global, representou um ingresso de divisas de US$ 1 bilhão no Brasil". Segundo Calmon, "abrir subsidiária em paraíso fiscal é uma obrigação de qualquer banco, porque permite captar recursos e remetê-los integralmente para o Brasil".
Calmon se disse um exemplo de um modelo de intervenção errada do Banco Central no mercado bancário. "A intervenção, no meu caso, foi um capricho do Banco Central, que teve consequências funestas que o próprio BC não imaginava. Depois eles adotaram o Proer, que é o modelo adotado no mundo inteiro e permitiu ao banco Excel fazer um bom negócio ao absorver o Econômico", disse.
Ezequiel Nasser, antigo dono do banco Excel, que prestou depoimento logo a seguir, foi categórico ao desmentir Calmon. "Ao absorver o Econômico, o Excel colocou um patrimônio próprio de R$ 230 milhões e saiu do negócio, vendendo a sua participação para o banco Bilbao Vizcaya por R$1. Não creio que isto seja um bom negócio", afirmou. De acordo com Nasser, o Banco Central adotou procedimentos diferentes para o Excel em relação a outros bancos beneficiados dentro do Proer, forçando-o a buscar capitalização com a perda do controle acionário. "Havia muita gente contra o Excel assumir o Econômico", disse.

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