Calma volta após chegada da Tropa de Choque
São Paulo, 26 (AE) - Uma relativa calma voltou ao complexo Tatuapé da Febem às 18h50. Nesse horário, soldados da Tropa da Choque da Polícia Militar, após revistar mais de mil menores, começou a encaminhá-los para suas unidade de origem. Na revista, os policiais apreenderam alguns bisturis que os adolescentes haviam retirado da enfermaria e do posto médico. "Estamos indo embora, pois a direção da Febem nos garantiu que a situação nas unidades está sob controle", disse o major Antônio Carlos, do Choque, que comandou a operação.
Uma hora antes houve uma correria nos pátios e surgiu a informação que era nova fuga. O major negou que houvesse mais fugitivos e informou que a movimentação foi provocada pelo encaminhamento dos menores às unidades. Ele garantiu que nenhum interno ficou ferido na operação. "Realmente não vi nenhum policial bater nos internos", confirmou o padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Menor. O padre, no entanto, informou que a direção do órgão estava encontrando problemas para completar o quadro de seguranças durante o período noturno, ja que muitos funcionários não foram trabalhar.
Com relação às depredações, há muita discordância. O major informou que o bolsão da UE-19, onde é feita a triagem dos internos que chegam, foi destuído. O mesmo aconteceu com o parque da UE-9 e a marcenaria. Os menores colocaram fogo no prédio da administração e almoxarifado. "Todos os instrumentos musicais, como violão, violinos e baterias, do Projeto Guri foram destruídos", disse Antônio Gilberto da Silva, presidente do Sindicadto dos Funcionários da Febem. Em sua opinião, "a direção da Febem perdeu o controle da situação".
Já Valdênia Aparecida Paulino, presidente do Conselho da Pessoa Humana, negou que os internos tivessem destruído os instrumentos musicais. "Ninguém destrói o que gosta", disse. "Eu vi até um rapaz tocando violão", acrescentou. "Os internos colocaram fogo no bolsão de triagem porque é lá que ficam os funcionários mais violentos", disse. O padre Lancelotti informou que não sabia se os instrumentos tinham sido destruídos ou não, mas que o Projeto Guri fica distante dos locais onde hoje aconteceram as rebeliões.





