Califórnia diz não a casamento gay De Renan Antunes de Oliveira, Especial para a AE
Califórnia diz não a casamento gay De Renan Antunes de Oliveira, Especial para a AE8/Mar, 13:20 São Francisco, 08 (AE) - Madrugada de tempestade e muito choro em São Francisco, a capital gay da Costa Oeste americana, com a vitória nas urnas da Proposta 22, por 61% dos votos. A medida impede a legalização dos casamentos gays no estado da Califórnia. Na rua Castro, centenas de militantes da causa protagonizaram cenas de desolação com a derrota. A campanha eleitoral pela 22 extrapolou os limites estaduais, ganhando repercussão internacional. Enquanto a imprensa do país destacava as campanhas de George Bush e Al Gore, decididas na mesma "superterça-feira", os californianos estavam mais divididos entre o sim e o não à 22. No avançado sistema democrático do estado mais rico do país mais rico do mundo, vanguardista em matéria de liberdades civis, o povo decide nas urnas sobre propostas em que os legisladores estão em desacordo. No caso da 22, ela seria uma brecha no sistema: casamentos do mesmo sexo são ilegais nos Estados Unidos, mas a proposta permitiria que pessoas casadas em outros países tivessem sua união legalizada no estado. "A luta continua", afirmou Tom Amiano, hoje de madrugada, no Midnight Sun, o bar que é o QG da informação do movimento gay americano. Ele admitiu que já esperava a derrota, mas estava preocupado em "reorganizar e continuar; um dia nós vamos derrotar as forças do atraso". Nos dias que antecederam a votação, as forças dos dois lados inundaram de anúncios as tevês locais. Num deles, uma apresentadora vendia a mensagem "salvem nossas famílias, casamento deve ser coisa entre homem e mulher". Líderes das igrejas católica, mórmom e evangelista se uniram contra o casamento gay. Nos bairros residenciais, era comum ver cartazes a favor e contra, em jardins lado a lado. Na reta final, o lado gay reclamou na justiça do sumiço de 40 mil placas. Nos noticiários, houve um interminável desfile de casais gays com seus filhos adotados, exigindo igualdades de direitos - a maior vantagem da legalização do casamento seria a possibilidade de inscrever as famílias nos programas sociais do governo. Na madrugada da rua Castro, principal ponto de encontro da comunidade, muitas manifestaçoes de pesar pela derrota que se desenhava nas urnas, confirmada ao amanhecer. Paul Sterzs e o namorado Merk Leny, com casamento marcado na Europa, estavam desolados: "O atraso dos californianos destruiu nosso sonho de constituir uma família".





