Calheiros se isola e FHC tenta reaproximar PMDB
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Tânia Monteiro e Isabel Braga 
Brasília, 10 (AE) - A ausência do ministro da Justiça, Renan Calheiros, e de lideranças do PMDB, na solenidade de criação do Ministério da Defesa, revela que o presidente Fernando Henrique Cardoso enfrenta resistências à sua determinação de unificar a base aliada. Hoje, aos colegas de partido, Renan Calheiros reclamava do tratamento que vem recebendo e admitia a possibilidade de deixar o cargo.
Depois da cerimônia, o presidente esteve durante cerca de uma hora com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha - único da cúpula do PMDB a comparecer à solenidade. Fernando Henrique afirma não querer o rompimento com o PMDB. Os tucanos, porém, desafiam os colegas da base aliada. "O primeiro que sair da linha vai ter de arcar com as consequências", avisou o ministro das Comunicações e Articulador Político, Pimenta da Veiga. Ele acrescentou ainda que o presidente "não aceitará competição pública entre os aliados" e exigirá solidariedade aos atos do governo. "É preciso que todos os partidos aliados saibam ler essas manifestações do presidente, que foram suficientemente claras."
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse que na reunião de quarta-feira (09) à noite, ficou clara, na fala do presidente, que quem não concordasse com suas orientações deveria deixar o governo. Nesta reunião, realizada no Palácio do Planalto com 11 ministros - da qual Calheiros também não participou - o presidente pediu união da base e afirmou que os ministros pertencem ao governo e não aos partidos.
O ministro da Saúde, José Serra, que recentemente trocou farpas com o colega Waldeck Ornélas (PFL), da Previdência, por causa de disputa de verbas - tentou acalmar os ânimos. Serra disse que o problema entre Renan Calheiros e o general Alberto Cardoso, da Casa Militar, na disputa pela nomeação para a direção da Polícia Federal, não é motivo para rompimento do PMDB com o governo. "Não vejo por que, em razão desses fatos, o PMDB deveria deixar de participar do governo", disse ele, ao acrescentar que o presidente foi cordial e ameno ao fazer o apelo pela união. Segundo ele, o presidente quer ainda que os todos os ministros se empenhem para mostrar suas ações.
O líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), também também deu declarações em tom conciliador. Ele reconheceu que era necessário o presidente dar uma "sacudida" no governo, mas alertou que o PMDB é "importantíssimo" para a manutenção da base de sustentação e aprovação de matérias constitucionais no Congresso. "O partido está solidário e votou com a base ontem", comentou ele, ao justificar a falta de peemedebistas na cerimônia. "A ausência do ministro não significa que ele esteja deixando o governo", prosseguiu o deputado, ao acrescentar que a crise envolvendo Renan Calheiros foi recente e é preciso respeitar os sentimentos das pessoas. Para ele, o ministro tem feito um bom trabalho e logo toda a equipe estará integrada.


