Brasília, 23 (AE) - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, prometeu há pouco fazer uma visita ao Tribunal de Justiça do Piauí para discutir com os desembargadores do Estado as denúncias de letargia do tribunal no julgamento de crimes de pistolagem. Segundo as denúncias, os pistoleiros são pagos até com recursos do Fundo de Participação dos Municípios. A promessa da visita foi feita ao grupo de representantes da União das Viúvas de Prefeitos Assassinados no Estado do Piauí, com quem o ministro encontrou-se hoje no gabinete da Liderança do PMDB no Senado.
As viúvas entregaram um dossiê ao ministro contendo a lista de oito prefeitos assassinados durante o mandato nos últimos dez anos e de um ex-prefeito e deputado estadual. O documento critica o que considera "descaso do Poder Judiciário Piauiense", com a interferência de "interesses estranhos ao direito e ao processo". Calheiros disse que "é preciso conversar com as autoridades do Judiciário para que essa gente seja punida, pois a impunidade tem sido um estímulo ao crescimento do crime". O caso mais recente relatado ao ministro foi O do prefeito de Capitão de Campos, João Batista Filho. Ele foi assassinado com um tiro em sua casa no dia 12 de janeiro deste ano.
Segundo a viúva, Edisa Cavalcante, o assassino, Beneva Barbosa, foi preso e acusou o vice-prefeito, Paulo Andrade, como mandante do crime. Segundo seu relato, o crime teria sido encomendado para ser pago em três parcelas, nos dia 10,20 e 30 do mês em que ocorreu. As datas seriam as em que o Tesouro Nacional faria os depósitos do dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios. "Eles matam, assumem a prefeitura e usam o dinheiro público para encobrir as ações", denunciou a viúva. Um dos casos mais antigos apresentados ao ministro foi do assassinato do ex-prefeito de Porto, Abrahão Gomes. Ele exercia o mandato de deputado estadual em 29 de agosto de 1989 quando foi assassinado em Teresina.
Segundo, Francisco Laerte gomes, filho da vítima, o processo não anda, só dá solavancos" a cada dois anos, quando há alguma pressão política contra a lentidão da Justiça. O pistoleiro autor do assassinato está preso por outro crime e acusou o advogado Virgílio Bacelar de Carvalho de ser o mandante. Ele está sendo processado como autor intelecual. Bacelar é irmão do então prefeito de Porto, Domingos Bacelar de Carvalho.

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