Brasília, 15 (AE) - Ao anunciar há pouco que está pedindo ao secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori
que mande investigar todas as denúncias de prática de tortura surgidas contra o diretor-geral do Departamento de Polícia Federal (DPF), João Batista Campelo, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, disse: "Nunca fiz concessão no que diz respeito aos direitos humanos, nem vou fazer agora." O ministro disse ainda estar agindo na mesma linha adotada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que também determinou uma investigação ao Serviço de inteligência do Palácio do Planalto. "Não podemos prejulgar nem deixar de investigar", justificou Calheiros. Calheiros transformou num ato de afirmação política, dele e do partido - o PMDB - a cerimônia de posse do diretor-geral da Polícia Federal. Após perder a disputa dentro do govoerno pela indicação diretor da PF - o candidato dele era o então diretor interino, Wantuir Jacine -, Calheiros reduziu a importância da posse de Campelo, transformando-a numa cerimônia relâmpago, num espaço físico exíguo (um miniauditório) e sem a presença de autoridades importantes. Os passos da cerimônia de posse de Campelo haviam sido discutidos antes, no almoço que reuniu hoje, na casa de Temer, dirigentes do PMDB, como Barbalho; os líderes do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e no Senado, Fernando Bezerra (RN), também líder do governo na Casa; o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha; o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado, Ramez Tebet (MT), além do próprio Calheiros e do assessor especial de Fernando Henrique, Moreira Franco. Uma das condições apresentadadas pelo PMDB a Fernando Henrique para a permanência de Calheiros no cargo de ministro da Justiç a era de que ele fosse valorizado e compensado pelo desgaste sofrido na disputa pela indicação do diretor-geral da PF.

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