Brasília, 04 (AE) - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, indicou hoje o delegado Wantuir Brasil Jacine, titular da Coordenação Central de Polícia da Polícia Federal (PF), como diretor-geral temporário da corporação. O delegado Vicente Chelotti, atual diretor-geral da PF, deve apresentar a carta de demissão ao ministro ainda amanhã (05). Segundo homem na atual hierarquia da PF, Jacine ficará no comando pelas próximas 72 horas, período em que o ministro pretende concluir a escolha do novo diretor-geral. É o tempo que Calheiros julga necessário para encontrar um substituto que não seja apenas uma indicação política, mas principalmente, um profissional capaz de melhorar a atuação da PF e torná-la mais alinhada às políticas do governo federal.
O ministro também determinou que seja feita uma varredura completa em todos os telefones do governo federal. Quer acabar de vez com a prática da escuta clandestina dentro do governo, que se tornou habitual nos últimos tempos como instrumento de pressão sobre autoridades do Executivo.
Calheiros também pediu um relatório pormenorizado sobre todas as investigações em curso na PF, principalmente sobre os casos mais rumorosos, como o do grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - que culminou na demissão de colaboradores próximos ao presidente Fernando Henrique Cardoso - e do dossiê Cayman, que envolve autoridades do governo - incluído o tucano - em contas naquele paraíso fiscal.
A substituição de Chelotti foi hoje um dos principais temas da agenda de Fernando Henrique, que conversou duas vezes com o ministro da Justiça.
Até o início da noite, entretanto, o governo ainda não tinha definido o nome do substituto definitivo do delegado, que ficou quatro anos no cargo.
Pela manhã, Fernando Henrique conversou com o ministro da Justiça sobre a substituição do diretor-geral da PF, que, em conversas telefônicas, disse ter cola superbonder na cadeira e ainda ter "nas mãos" o ex-ministro da Justiça Íris Resende.
Chelotti vinha sugerindo em conversas que se mantém no cargo graças a informações privilegiadas que tem de autoridades do governo federal.
Ao chegar hoje de Lima, às 10 horas, Calheiros telefonou para Fernando Henrique. Na conversa, trocaram as primeiras informações sobre a saída de Chelotti. O ministro ponderou que seria importante indicar alguém capaz de tornar a atuação da PF mais alinhada às políticas do governo, um dos motivos de crítica à Chelotti.
No período da tarde, Calheiros foi ao Palácio do Planalto, onde foram feitas ponderações sobre um nome ideal para substituir Chelotti. A Casa Militar da Presidência defende um nome de carreira da própria PF, mas com feições menos corporativistas do que Chelotti. Os militares dizem que o delegado criou uma espécie de hierarquia paralela no governo, chegando a desrespeitar até Fernando Henrique.
A substituição de Chelotti na PF deverá representar maior liberdade para Calheiros deslanchar campanhas de defesa do consumidor. Calheiros tentou algumas vezes prender agiotas e punir donos de supermercados que lesam os consumidores, mas não ganhou o apoio que esperava da PF. A avaliação feita até por agentes da PF é que seria fácil prender agiotas, bastando, para isso, ler os anúncios nos jornais.

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