Brasília, 17 (AE) - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, não participou do lançamento, no Palácio do Planalto, da Semana Nacional Antidrogas. O secretário nacional antidrogas, Wálter Maierovitch, disse que o ministro "tinha compromissos hoje". O porta-voz do Planalto, Georges Lamazire, declarou não saber o motivo da ausência de Calheiros, que, ressaltou, estava representado pelo secretário-executivo do Ministério. Na cerimônia, presidida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, estava presente o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, com quem recentemente Calheiros teve atritos por conta da indicação para a diretoria-geral da Polícia Federal.
Hoje, o general Cardoso disse que "está esperando que alguém resolva provar as acusações" que estão sendo feitas ao diretor-geral da Polícia Federal, João Batista Campelo, de que teria presidido inquéritos com tortura em 1970. Cardoso lembrou que Campelo nega ter participado de sessões de tortura.
Campelo compareceu à solenidade, mas logo no início teve de deixar o local, alegando mal-estar. "Eu não estou passando bem", disse ele, suando frio. "Eu não comi, vim direto do depoimento (na Comissão de Direitos Humanos da Câmara) para cá"
explicou. "Vim conversar com o meu amigo general (Alberto Cardoso)".
O presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), negou hoje ter indicado João Batista Campelo para assumir a PF. Salientou, no entanto, que se chamado, poderia dar depoimento favorável a Campelo, já que ele era governador de Santa Catarina quando o delegado era superintendente da Polícia Federal no Estado. "Ele teve um comportamento exemplar no exercício de suas funções em Santa Catarina", testemunhou. O senador negou que tenha conversado sobre o assunto com o presidente, durante o encontro com ele hoje, no Alvorada.

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