Brasília, 11 (AE) - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, descartou hoje qualquer possibilidade de o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ter sido informado previamente sobre a operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam. "Até o momento, não existe nada no inquérito da Polícia Federal que possa formar qualquer convicção sobre a participação do ministro Malan neste episódio", disse Calheiros. "Se alguma coisa tivesse acontecido, a CPI já teria sido informada."
Ele explicou que tudo o que está sendo apurado no inquérito aberto pela Polícia Federal é repassado para a Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Financeiro. "As duas investigações não são concorrentes, tanto é verdade que colocamos um delegado da Polícia Federal para acompanhar a CPI"
observou Calheiros. Na segunda-feira, ele enviou uma carta ao ministro Pedro Malan esclarecendo que no inquérito da PF só havia citação da visita de Malan ao BC, no dia 15 de janeiro, para tratar unicamente da mudança cambial.
A carta foi solicitada pelo próprio ministro da Fazenda depois da publicação de notícias de que para a Polícia Federal Malan havia participado do caso. Segundo Calheiros, a carta foi combinada por telefone na noite de domingo. Para isso, ele convocou o diretor interino da Polícia Federal, Vantuir Brasil Jacine, para explicar as informações atribuídas a fontes da PF.
O ministro da justiça esclareceu que só depois de constatado que não havia nada no inquérito que pudesse fundamentar qualquer suspeita sobre o possível envolvimento de Malan no episódio é que a carta resposta foi escrita. "Minha resposta não procurou satisfazer Malan, mas sim expressar a verdade, já que estava fundamentada em tudo que havia sido apurado até aquele momento"
disse Calheiros. No final da noite da segunda, o ministro da Justiça recebeu por fax um bilhete manuscrito de Malan agradecendo "presteza" de Calheiros.

mockup