Calheiros despede-se do cargo atacando "medíocres"
Brasília, 19 (AE) - O ex-ministro da Justiça Renan Calheiros voltou hoje a fazer críticas a pessoas que teriam conspirado para sua saída do governo. No seu discurso de despedida do ministério e de transmissão do cargo ao ministro José Carlos Dias, Calheiros disse que saía "pela porta da frente, de cabeça erguida e olhando nos olhos de todos com o alento de ter cumprido o seu dever".
O ex-ministro insinuou ter sido derrubado por pessoas que não se conformaram com as ações desenvolvidas por ele no ministério, principalmente nas áreas de defesa do consumidor, do Código de Trânsito, livre concorrência e defesa da cidadania. "Para os de espírito pequeno, trabalhar neste caminho foi um erro. Perdidos na própria mediocridade, não se conformaram com a ampla repercussão das ações aqui desenvolvidas neste período. Esta velha casa pulsou tão forte quanto pulsa a sociedade, e isso, infelizmente, ofendeu vaidades", afirmou.
Em seguida, ironicamente, Renan pediu desculpas por algumas decisões pelas quais, como afirmou, assume "com muito orgulho a responsabilidade de tê-las tomado" e que, segundo disse, "barraram ambições sinistras e inconfessáveis". Ele pediu desculpas pelo mal-estar causado com a posse de João Batista Campelo na direção-geral da Polícia Federal. "Peço desculpas pelo mal-estar que alguns disseram que causei pelo indisfarçável constrangimento que tive ao empossar um torturador na direção-geral da Polícia Federal. Sinceramente hoje posso dizer: foram os 18 segundos mais longos da minha vida", disse.
Ele pediu desculpas em nome da Polícia Federal "pela coragem e patriotismo" com que cumpriu sua missão constitucional de Polícia Judiciária da União. "Por isso, entendo as dificuldades encontradas para esclarecer o caso dos grampos nno BNDES. Essa elucidação seria facilitada se os que entregaram a fita revelassem de quem as receberam, e a sociedade brasileira tem o direito de saber quem e por que cometeu esse crime", afirmou.
Calheiros deixou o Ministério da Justiça, após a solenidade, acompanhado do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. Disse que iria para seu antigo gabinete no Senado e, depois, para sua casa. O ex-ministro considerou seu discurso "educado". Não quis dizer a quem se referiu nos recados dados no pronunciamento. O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que chegou atrasado para a solenidade de transmissão do cargo, não ouviu o discurso de Calheiros.





