Curitiba - Por incrível que pareça, há quem, na contramão de todas as evidências científicas, opte por não vacinar seus filhos. De acordo com um levantamento divulgado em 2012, realizado a pedido do Ministério da Saúde, e publicado no periódico médico "Vaccine", 82,6% das crianças brasileiras tinham tomado todas as vacinas recomendadas até os 18 meses de idade. O estudo, que avaliou 17.295 crianças das 27 capitais, descobriu, no entanto, um dado inusitado: nas classes mais abastadas das capitais mais ricas a vacinação era deficitária. Em algumas cidades, o índice de imunização tinha atingido 71%, enquanto que nas classes com renda menor, a cobertura vacinal chegou a 81%. De acordo com José Cassio de Moraes, professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e membro do Comitê Técnico Assessor de Imunização do MS, e que coordenou a pesquisa, as vacinas que costumam ser as mais descartadas são a de sarampo, difteria, hepatite B e gripe. "Desde a década de 1970 os casos dessas doenças são muito baixos, então aquelas pessoas que estão sendo pais nos últimos anos não chegaram a temer estes casos. Eles acabam deixando de vacinar os filhos por acreditar que os filhos não correm risco e esta é uma postura totalmente errada", ressalta.
Conforme Moraes, entre os argumentos mais triviais desta parcela da população que não imuniza seus filhos, está o medo de que a vacina traga problemas sérios de saúde e a sensação de que é desnecessário se prevenir contra doenças que têm ocorrência baixa. "Os riscos da criança desenvolver uma complicação séria em função da vacina são extremamente menores do que os de ela contrair a doença. Não há nem comparação. E isto é um fato comprovado cientificamente", completou.

CONSCIENTIZAÇÃO

Para Heloísa Ihle Garcia Giamberardino, presidente da regional Paraná da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) e integrante do comitê de infectologia da Sociedade Paranaense de Pediatria (SPP), a população tem que estar consciente de que manter o calendário de vacinação atualizado é extremamente importante.
Ela explica que, a imunização é essencial por dois pontos de vista. Primeiro pela proteção individual, de crianças, jovens, adultos e idosos, com o objetivo de se prevenir das doenças infecto-contagiosas. E também porque o comportamento de um determinado grupo, optando não se imunizar, pode acabar impactando no reaparecimento de doenças até então controladas. "Com o crescimento do trânsito de pessoas entre os mais diversos países, doenças que estavam sob controle podem reaparecer e trazer novas complicações se a cobertura vacinal não for efetiva. Então a população tem que estar atenta e refletir sobre a importância de manter o calendário de vacinação em dia. Se existe a prevenção porque não aproveitar?", questiona a médica.(R.C.J.)

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