Calçadistas temem efeito da greve sobre o Dia dos Pais
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto (SP), 30 (AE) - A greve dos caminhoneiros pode ter comprometido as vendas de calçados para o Dia dos Pais, informou o Sindicato dos Calçados de Franca. A data é aguardada pela indústria de calçados como sendo "praticamente um segundo Natal", como explicou o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados no Estado de São Paulo (Abicalçados), Miguel Heitor Bertarello.
Segundo ele, o atraso na entrega do produto nas revendedoras pode comprometer pelo menos 20% das vendas estimadas em R$ 6 milhões. "O lojista teria que ter pelo menos duas semanas para vender para o Dia dos Pais e na semana da greve praticamente 90% das entregas seriam feitas e ficaram detidas nas estradas. Por mais que essa situaçâo já esteja normalizada, é difícil recuperar as vendas", disse ele.
Pela primeira vez em cinco anos, a Abicalçados espera encerrar o ano com o um volume maior de calçados negociados no comércio externo. "Já que o mercado interno está praticamente estacionado, estamos apostando todas as nossas fichas no mercado externo, impulsionado pela desvalorizaçào, mas ainda está difícil recuperar a credibilidade do Brasil no exterior", avaliou.
Segundo a Abicalçados, após a desvalorização do Real, o produto pôde ter seu preço reduzido em 5%, o que o tornou mais competitivo. O volume de exportações cresceu 3% no primeiro semestre do ano em todo o Brasil. Os números referentes ao primeiro semestre da indústria de calçados de Franca deve sair na segunda-feira, segundo informou o sindicato local.


