Calçadistas querem resposta argentina em uma semana
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 09 (AE) - A Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) quer, no "prazo máximo de uma semana", uma resposta do governo argentino sobre as resoluções que dificultam as exportações de sapatos para aquele país.
Caso contrário, o Brasil deve apelar imediatamente para os mecanismos de solução de controvérsias do Mercosul e à própria Organização Mundial do Comércio (OMC), disse o vice-presidente para mercado externo da entidade, Ricardo Wurth.
Hoje entram em vigor na Argentina três medidas que condicionam as exportações ao país à etiquetagem e a uma licença prévia do Ministério da Indústria e Comércio local que pode levar até 120 dias para ser concedida aos importadores.
O Itamaraty pediu ao governo argentino que adiasse a vigência das determinações mas até agora não obteve resposta, informou hoje o secretário-geral para Assuntos de Importação e Comércio Exterior, José Alfredo Graça Lima.
"A partir de hoje a fronteira se fechou", comentou Wurth. De acordo com ele, a indústria calçadista brasileira precisa de uma "solução de curto prazo" porque estão em jogo negócios de US$ 80 milhões até o final do ano, equivalentes a cerca de 7 milhões de pares. Até agosto ele calcula que as exportações de sapatos para a Argentina alcançaram 8 milhões de pares.
Segundo Wurth, com as medidas que entram em vigor hoje o governo argentino pode, na prática, impedir totalmente a entrada de calçados brasileiros até o final deste ano. Isto ocorreria caso o Ministério da Indústria e Comércio daquele país utilizasse os 120 dias a que agora tem direito para emitir as licenças prévias exigidas dos importadores.


