Porto Alegre, 11 (AE) - Calçadistas brasileiros e argentinos voltam a se reunir amanhã (12), em Novo Hamburgo (RS)
para tentar um acordo de auto-limitação das exportações de sapatos do Brasil para a Argentina. O encontro começa às 10 horas e vai buscar uma solução que impeça o agravamento do contencioso comercial entre os dois principais sócios do Mercosul, aberto depois que a desvalorização do real no início do ano desequilibrou as condições de competitividade entre os produtos dos dois países.
Na reunião, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Nestor de Paula, vai comunicar ao dirigente da Câmara da Indústria de Calçados da Argentina, Carlos Bueno, que os fabricantes nacionais aceitam reduzir as vendas para o mercado argentino.
No entanto, a queda não será tão acentuada quanto deseja a Câmara, que pediu o estabelecimento de um limite de 4 milhões de pares no segundo semestre, além dos 5,5 milhões já exportados no primeiro. A entidade brasileira quer o direito de vender no mínimo mais 5,5 milhões de pares de julho até dezembro, empatando com o volume negociado em 1998. Nestor de Paula considera inaceitável um patamar inferior a este.
Antes da crise comercial, a meta para 1999 era exportar 16 milhões de pares para a Argentina até dezembro e alcançar uma receita de US$ 136 milhões, contra US$ 74 milhões no ano passado.
Os calçadistas também vão discutir a recente resolução adotada pelos argentinos que exige a descrição técnica detalhada de todos os calçados vendidos no mercado local, importados ou não. A Abicalçados considera a medida uma barreira não tarifária. "Tudo terá que ficar muito bem definido entre as entidades", disse Nestor de Paula.

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