Calçadistas discutem hoje comércio com o mercosul
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domingo, 08 de agosto de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 09 (AE) - Representantes das indústrias de calçados reúnem-se às 17 horas de hoje para definir se aceitam algum tipo de cota nas exportações para a Argentina, como querem os fabricantes do setor daquele país. O encontro será na sede da Abicalçados (Associação Brasileira da Indústria de Calçados), em Novo Hamburgo, que já havia rejeitado o pedido de auto-limitação feito pelos argentinos.
A entidade decidiu retomar as negociações para evitar a imposição de barreiras não-tarifárias mais rigorosas ao produto e também o recrudescimento da crise comercial que abala o Mercosul.
O presidente da Abicalçados, Nestor de Paula, porém, informou que não aceita a restrição das exportações para o país vizinho a 4 milhões de pares ao longo do segundo semestre. O número foi sugerido pela Câmara da Indústria de Calçados da Argentina, que reclama que as exportações brasileiras, beneficiadas pela desvalorização do real, estão quebrando as empresas locais. "Queremos negociar em outras bases", afirmou o empresário.
No primeiro semestre o Brasil vendeu 5,5 milhões de pares de calçados para os argentinos. A expectativa era alcançar 16 milhões de pares até o final do ano, com uma receita média de US$ 136 milhões, contra 11 milhões de pares e US$ 76 milhões de faturamento em 1998. Conforme a Abicalçados, de 1995 a 1998 o produto brasileiro era tributado na Argentina enquanto os sapatos produzidos lá entravam livremente no País.
Na reunião de hoje também deverá ser definido um novo encontro entre as duas entidades industriais, provavelmente na quinta-feira, quando o presidente da Câmara Argentina, Carlos Bueno, iria a Novo Hamburgo. Ainda hoje, às 15 horas, Nestor de Paula tem uma audiência com o governador Olívio Dutra (PT), para apresentar os planos de expansão do setor.
Na quarta-feira, o presidente da Abicalçados e o assessor político da entidade, o ex-governador Antônio Britto (PMDB), vão pedir ao ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, em Brasília, a desoneração tributária para estimular as exportações de calçados. De acordo com Nestor de Paula, uma redução de 10% nos impostos permitiria, "em pouco tempo", dobrar as vendas do produto no exterior. Em 1998, as indústrias calçadistas brasileiras exportaram 131 milhões de pares, faturando US$ 1,33 bilhão.


