Ribeirão Preto, SP, 11 (AE) - O setor calçadista de Franca, interior de São Paulo, está apostando tudo no mercados externo este ano, com expectativa de vender até 30% mais do que o ano passado para Estados Unidos e América do Sul. O crescimento, por conta da desvalorização do real, que deixou os calçados nacionais pelo menos 10% mais baratos em dólar do que o concorrente estrangeiro, deve apresentar os primeiros resultados positivos em maio.
Balanço fechado pelo Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca com base no primeiro trimestre do ano, aponta que ainda havia queda no volume de exportações em relação ao mesmo período no ano passado. Mas a queda que em janeiro era de 10%, com o fechamento de março, ficou em 6%, segundo o sindicato. Já o mês de abril, segundo a entidade, deverá igualar o volume de exportações do mesmo período no ano passado.
Em todo o ano de 98, Franca exportou US$ 72 milhões. Mesmo com o crescimento de 30% esperado pelas empresas, o volume deste ano ainda deverá ficar abaixo dos US$ 228 milhões exportados de sete anos atrás. "A mudança no câmbio vai impulsionar as exportações, mas o setor ainda precisa de tempo para recuperação do mercado", disse o diretor do sindicato, Ivânio Batista.
Confiante no mercado externo, a Dharma Calçados Esportivos, de Franca, está investindo US$ 2 milhões para aumentar seu faturamento em 18%. Com o investimento, a empresa pretende lançar seis coleções de sapatos este ano, contra quatro em 98 e somente duas nos anos anteriores. A estratégia, segundo o diretor superintendente, Wilson Tomas Martiniano é manter a alta rotatividade dos calçados nas lojas. "Hoje o público quer variedade. antigamente um modelo permanecia por anos nas lojas, mas estamos acompanhando uma tendência de mercado que exige mais e mais lançamentos", disse.
A produção da Dharma, que no ano passado foi de 70 mil pares por mês, 9% superior ao ano anterior deverá ser exportada principalmente para os países que fazem fronteira com o Brasil no Mercosul, além da Bolívia, e ainda para os Estados Unidos. Segundo o diretor superintendente, para evitar que a desvalorização do real fosse uma via de mão dupla para a empresa
trazendo a empresa com o aumento no preço dos insumos, a Dharma optou por substituir parte da matéria-prima importada por produtos nacionais. É o caso do couro sintético, que foi substituído por couro normal, provocando economia de até 7% e ainda a borracha pré-moldada, que passou a ser fornecida por produtores nacionais e fabricada nas instalações da própria empresa.
A Calçados Sândallo, hoje uma das maiores empresas instaladas em Franca, quer aumentar seu volume de exportações como forma de "compensar possíveis quedas esperadas para o mercado interno, por conta da recessão", explicou o diretor- presidente da empresa, Carlos Alberto Brigagão, que acredita numa retração de até 10% do mercado interno este ano. Segundo ele, os principais alvos para o comércio exterior são os países do Mercosul, apesar de 80% das exportações da empresa estarem voltados para os Estados Unidos.
"Existe um mercado potencial entre os clientes latino-americanos, que está pouco explorado e sobre o qual estamos intensificando nossos contratos", explicou ele. A Sândalo, que até o ano passado produzia 126 mil pares de calçados ao mês e exportava 30% deste total, segundo Brigagão espera encerrar 99 com uma média de produção mensal na casa de 140 mil pares, com exportações girando em torno de 40% deste total. "Vamos aos poucos recuperando nossa posição no mercado externo", disse.
A Agabe Calçados quer aumentar em 20% o volume de suas exportações em 99, atingindo o pico de 96, época em que mais faturou no mercado externo. No ano passado, as vendas para o exterior chegaram a US$ 17 milhões. "Com a possibilidade de reduzir nosso preço em dólar em até 10%, nos tornamos mais competitivos no mercado externo, o que nos garante um melhor posicionamento frente aos concorrentes", disse o diretor Miguel Bertarello. Um dos principais concorrentes , segundo ele, é o calçado italiano, comercializado para os Estados Unidos. Com a valorização do real, o nosso sapato ficou muito mais caro que o italiano e os americanos acabaram comprando deles", disse. Segundo ele, a empresa quer abocanhar uma fatia deste mercado este ano. "Vamos recuperar um espaço que já possuíamos", afirmou.

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