Porto Alegre, 23 (AE) - Os calçadistas brasileiros rejeitaram o pedido dos fabricantes do setor na Argentina para reduzir espontaneamente as exportações para aquele país. A decisão, comunicada ontem (22) ao presidente da Câmara da Indústria de Calçado argentina, Carlos Bueno, foi tomada depois que a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) fez uma consulta durante toda a semana às empresas associadas.
A medida pode abrir uma nova frente de atrito nas constantes controvérsias comerciais entre os dois países, mas na correspondência enviada ontem o presidente da Abicalçados, Nestor de Paula disse que a proposta dos argentinos é "insustentável" porque "fere os acordos do Mercosul". De janeiro a maio o Brasil exportou 4,7 milhões de pares de calçados à Argentina, com uma receita de US$ 40 milhões. Até o final do ano a meta é alcançar 16 milhões de pares, com um faturamento de US$ 136 milhões, aproximadamente, quase 80% acima de 1998.
Abalados pela crise econômica do país e pelos efeitos da desvalorização do real sobre a competitividade dos seus produtos
os calçadistas argentinos pediram, dia 16, em uma reunião em Novo Hamburgo, que os brasileiros limitassem suas exportações a apenas mais 4 milhões de pares no segundo semestre. Também pediram que as vendas de todo o ano que vem ficassem restritas a este volume. Segundo Nestor de Paula, porém, de 1995 a 1998 os calçados argentinos entraram livres de impostos no Brasil, ao mesmo tempo em que o produto brasileiro era tributado naquele país. "Se em quatro anos suas fábricas não alcançaram a competitividade exigida pelo Mercosul, dificilmente isso acontecerá em um ano apenas", disse o empresário, presidente da Azaléia.
No ano passado o Brasil exportou 11 milhões de pares para a Argentina, o equivalente a US$ 76 milhões. O valor correspondeu a 5,7% do faturamento global das exportações brasileiras de calçados, de US$ 1,33 bilhão e 131 milhões de pares. Os argentinos representaram o terceiro maior mercado para os produtos brasileiros e a expectativa é que alcancem o segundo lugar este ano. Em 1998 os Estados Unidos responderam por 69% das receitas totais. Depois veio o Reino Unido, com 10%. (Sérgio Bueno)

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