Calçadistas brasileiros e argentinos não chegam a acordo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 27 (AE) - Terminou sem acordo hoje, em Montevidéu (Uruguai), a quarta reunião entre calçadistas brasileiros e argentinos sobre o estabelecimento de cotas de exportações de sapatos do Brasil para a Argentina. O impasse ocorreu porque a Câmara da Indústria de Calçados argentina não apresentou perspectivas de alteração de duas resoluções baixadas pelo governo do seu país que restringem a venda de calçados importados no mercado local, como queriam os brasileiros.
Como consequência, uma nova rodada de negociações foi marcada para 10 de setembro, em Buenos Aires.
A Abicalçados, que representa as indústrias brasileiras do setor, quer eliminar as barreiras não tarifárias impostas pelas portarias 508 e 977 antes de negociar as cotas de exportações reivindicadas pela Câmara. A entidade havia informado que, caso não houvesse acordo nesta última reunião, o assunto seria levado ao âmbito dos governos dos dois países e à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas mudou de idéia e resolveu aceitar outra reunião.
A resolução 508, baixada pela Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração, exige a emissão, por um laboratório da Argentina, de uma etiqueta que comprove a qualidade dos componentes dos sapatos vendidos no mercado interno, importados ou não. Na última reunião entre as duas entidades, dia 12, os brasileiros pediram empenho da Câmara para que o certificado seja emitido num prazo máximo de sete dias após a solicitação pelo exportador.
A portaria 977, do Ministério da Economia, condiciona a exportação de calçados para a Argentina à liberação de uma licença prévia, que depende do envio antecipado de amostras dos produtos pelo vendedor. A Abicalçados quer que os sapatos brasileiros sejam isentos dessa exigência.
Segundo o consultor internacional da entidade brasileira
Adimar Schievelbein, a Câmara não apresentou qualquer perspectiva de solução para os dois casos. Conforme o consultor, os argentinos, liderados pelo presidente da Câmara, Carlos Bueno
voltaram a afirmar que o assunto depende inteiramente do governo, provocando o encerramento antecipado do encontro.
A Câmara Argentina quer que os calçadistas brasileiros limitem suas exportações a um patamar inferior a 10 milhões de pares ao longo deste ano, menos do que os 11 milhões embarcados em 1998. A Abicalçados não admite vender menos do que no ano passado e já fala em exportar pelo menos 13 milhões de pares para os argentinos em 1999.
De janeiro a julho, as exportações brasileiras para aquele país atingiram 6,8 milhões de pares, o equivalente a US$ 53,2 milhões.


